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Saturday, 22 June 2019

Primeiros pensamentos sobre o Plano Nacional das Artes



Houve dois momentos para uma primeira apreciação do Plano Nacional das Artes (PNA): a sua apresentação pública, no passado dia 18 de Junho e a leitura do documento. Começarei por partilhar os meus pensamentos sobre o primeiro.

Sessão esgotada nos estúdios Victor Córdon para ouvir a apresentação do PNA. Muitos colegas, jornalistas, pessoas que representavam instituições privadas que apoiam o sector cultural e as artes. Sentia-se a boa disposição e a expectativa, misturada com alguma desconfiança (“Será desta?). Penso que aquele momento de encontro e tudo o que se sentia no ar foi um bom sinal de que “o sector” é constituído por profissionais que continuam interessados e prontos para se envolver num esforço comum que possa valorizar, apoiar e fortalecer o seu trabalho e contributo para a sociedade.

Saturday, 14 July 2018

"Somente brancos": entraria?



Há dois incidentes recentes que me fizeram pensar. São lições aprendidas e têm influenciado a minha maneira de avaliar situações e de tomar decisões profissionais e pessoais.

Sunday, 8 July 2018

Profissionais de museus: novas competências


O meu artigo no mais recente Boletim do ICOM Portugal (Série III, Junho 2018, Nº12, pág.25), editado por Ana Carvalho. Ler aqui

Monday, 11 June 2018

Discutindo a descolonização dos museus em Portugal

Foto: Maria Vlachou

Adoro museus. Adoro-os pelo que são; adoro-os pelo que não são, mas podem ser; adoro-os pelo seu potencial. Adoro-os especialmente devido ao trabalho desenvolvido por vários colegas em todo o mundo para que os museus se adaptem a novas realidades, permaneçam ou se tornem relevantes para as pessoas e até se reinventem. Ultimamente, adoro-os particularmente pelas controvérsias que causam ou enfrentam, empurrando o nosso pensamento e prática para a frente.

Sunday, 28 January 2018

TS Elliot, um terrível artista hip-hop

Uma imagem do projecto Contratempo no programa do Isto é PARTIS.

O jornal inglês The Guardian deu recentemente a notícia de uma crítica da poetisa Rebecca Watts, intitulada “O culto do nobre amador”, ao trabalho de um grupo de jovens poetisas que Watts considera que constitui "O óbvio denegrir do envolvimento intelectual e a rejeição do ofício”. A crítica gerou uma discussão muito interessante, e bem-vinda, em relação ao valor da poesia erudita e da poesia popular, sendo que a resposta de Don Paterson (poeta escocês, vencedor do prémio TS Elliot e editor de duas das jovens poetisas) foi cativante: "Não precisa de gostar do que as pessoas fazem, mas penso que deve avaliá-lo em função das suas próprias ambições. Caso contrário, é como dizer que TS Elliot foi um terrível artista de hip-hop. É verdade, e então?”.

Saturday, 13 January 2018

O que o Maria Matos significa para mim (ou: porque é que assinei o abaixo assinado)


No dia 17 de Dezembro de 2017, o jornal Público publicava uma entrevista da Vereadora da Cultura de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, onde se anunciava que “o [Teatro] Maria Matos (MM) terá um modelo de programação bastante diferente, com carreiras mais longas e uma maior preocupação de captação de público, para ser rentável”. A notícia foi, no mínimo, surpreendente para mim. Diria mais, lembro-me que, ao ler, senti uma espécie de dor física.

Tuesday, 12 September 2017

Isto é também meu!


Eden Condoms, Esther Pi & Timo Waag, Espanha. Candidato ao prémios Rijksstudio 2017 (fonte: Rijksmuseum website)

As pessoas devem poder usar imagens de coleções de museus em bolos de aniversário, ténis, preservativos ou papel higiénico? Quem protegerá a dignidade dos objetos desse 'assalto'? E a receita que os museus perdem ao não cobrar pelo uso das imagens?

O meu post no blog do CIDOC - International Committee for Documentation sobre as questões levantadas pelas políticas de acesso aberto. Ler aqui

Tuesday, 4 April 2017

Cobrar ou não cobrar: os dados



Tanto quanto sei, as decisões de cobrar ou não cobrar entrada nos museus nacionais nunca se baseiam em estudos. Aqueles que defendem a entrada livre fazem-no em nome da "democratização" e da "acessibilidade" e afirmam que a perda de receita não é significativa (nunca mencionando, no entanto, valores concretos). Aqueles que defendem a entrada paga geralmente falam da necessidade de gerar alguma receita.

Embora a pesquisa prévia e a avaliação sumativa não façam parte da nossa prática em Portugal, tal não é o caso noutros países. E mesmo que não tenhamos os nossos dados específicos sobre estas matérias, podemos sempre aprender com a experiência e o conhecimento partilhado dos outros.

Thursday, 9 March 2017

Saturday, 4 February 2017

À procura de terreno arenoso


“Menores de 30 têm acesso gratuito aos museus”, lê-se nos jornais portugueses. A medida foi ontem votada no parlamento.

Alguém me explica qual é a lógica dos 30 anos?”, questiona uma colega brasileira.

“Será para estimular jovens famílias, tipo casais com filhos pequenos?”, responde outra colega. “Será porque se constatou que o desemprego é maior até aos 30 anos?”

Valerá a pena procurarmos a lógica? Terá havido lógica? Será que a medida se baseou em qualquer relatório de gestão? Será que se baseou em algum estudo de públicos? Os profissionais do sector foram consultados? Existem objectivos concretos que daqui a um ou dois anos poderão ser avaliados?

Sunday, 30 October 2016

MAAT, gerador de expectativas

Imagem retirada do website do MAAT.
Continuo admirada com a forma como o recém-inaugurado edifício do MAAT – Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia, da autoria de Amanda Levete, se integra na paisagem. Quando me aproximo daquela zona ou quando atravesso a ponte, espero sempre ver um edifício enorme que se sobreponha ou que esconda a Central Tejo. Mas não...... A Central Tejo continua majestosa, sendo que o novo edifício surge ao seu lado como uma nota suave e fluída.
O meu primeiro contacto com o novo museu foi em Junho. Na verdade, tratou-se da reabertura do “velho” museu (Museu da Electricidade na Central Tejo), depois das obras de renovação, e foi lançada a marca MAAT. Acompanhei depois a campanha para a inauguração do novo edifício e li algumas entrevistas do director do museu, Pedro Gadanho, tendo, assim, formado uma primeira opinião / expectativa. As várias críticas que surgiram com a inauguração do edifício e algumas conversas com colegas trouxeram-me mais “food for thought”. A minha primeira visita ao novo edifício também.

Saturday, 22 October 2016

Ilimitado (Unlimited)

"Uma menina perdida no seu século à procura do pai", Teatro Crinabel (Foto: Paulo Pimenta; imagem gentilmente cedida pelo Teatro Nacional D. Maria II)
Há dois anos, questionava aqui o propósito dos festivais que apresentam a arte de grupos específicos de pessoas (gays, negros, pessoas com deficiência, etc). Era Setembro de 2014, e estava a decorrer a segunda edição do festival Unlimited no Southbank em Londres. “Pergunto-me”, escrevia na altura, "quem é que assiste a estes festivais, exposições, actividades e o que é que acontece depois? Será que atraem apenas os já ‘convertidos’ ou um público mais amplo? Serão os artistas gay ou negros ou com deficiência mais reconhecidos como artistas pelo sector e pelo público? Estaremos a seguir em direcção a uma representação inclusiva, onde serão vistos em primeiro ligar como artistas, ou os curadores e o público vão, na mesma, para assistir a algo “especial”, circunscrito num tempo e espaço específico, um tempo e um espaço ‘próprio’? Ajudam-nos estes festivais a aprender a preocupar-nos mais e mais com a arte e menos e menos com o ‘resto’?

Monday, 3 October 2016

Justin Bieber e o combate ao extremismo islâmico

O Presidente iraniano, Hassan Rouhani, e o Primeiro-Ministro italiano, Matteo Renzi (Foto: Alessandro Bianchi / Reuters, imagem retirada do jornal The Atlantic)
Um recente artigo do NPR, intitulado Italy's 'Cultural Allowance' For Teens Aims To Educate, Counter Extremism (O subsídio de cultura para os adolescentes na Itália pretende educar, combater o extremismo) demonstra a confusão que existe, a vários níveis e meios, em relação ao acesso à cultura e à cultura como panaceia para vários males deste mundo.

O título não é um exagero do jornal. Foi o próprio Primeiro-Ministro italiano que, ao anunciar este subsídio de cultura (€500 para cada jovem com 18 anos gastar em produtos culturais), pouco depois dos ataques terroristas em Paris, em Novembro 2015, afirmou: “Destroem estátuas, nós protegemo-las. Queimam livros, somos o país das bibliotecas. Concebem o terror, respondemos com cultura."

Sunday, 25 September 2016

O impacto tem nome: pode ser Telmo ou Rafael ou Gustavo...

Telmo Martins, membro da Orquestra Geração (Foto: Maria Vlachou)

Há uns anos, vi o documentário Waste Land (Lixo Extraordinário)
. Era sobre o trabalho do artista plástico brasileiro Vic Moniz com os catadores de lixo no maior aterro do mundo, o Jardim Gramacho, na periferia do Rio de Janeiro. Moniz disse que queria mudar a vida de um grupo de pessoas com os mesmos materiais com que elas lidam todos os dias. Juntos, usaram lixo para criar grandes retratos dos próprios catadores, que foram depois vendidos em leilão e o dinheiro distribuído entre os catadores. Os trabalhos foram apresentados em exposições em vários museus de arte contemporânea.

Sunday, 24 July 2016

Gerir museus

Imagem retirada do Facebook do Museu Nacional de Arte Antiga

A reclamação de um novo estatuto jurídico, de um estatuto especial, por parte do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) tem resultado num debate muito saudável no meio dos museus, sobretudo (e infelizmente) depois do anúncio do Ministro da Cultura que este estatuto irá mesmo ser atribuído. Independentemente das críticas, positivas ou negativas, que temos a fazer sobre este caso e sobre este processo, não há dúvida que devemos este debate, muito necessário, ao MNAA, ao seu director, António Filipe Pimentel, e a toda a equipa do museu*.

Wednesday, 22 June 2016

Reflexões governamentais sobre o acesso à cultura


"MAPA - O jogo da cartografia", um espectáculo da associação A PELE (imagem retirada do website do Teatro Nacional D. Maria II)

O Culture White Paper (publicado pelo Departamento de Cultura, Media e Desporto em Março 2016) define a forma como o governo britânico vai apoiar o sector cultural nos próximos anos. É o primeiro documento deste tipo em 50 anos e o segundo alguma vez publicado no Reino Unido.

O documento abre citando o primeiro-ministro britânico, David Cameron, que afirma: "Se acreditam no financiamento público da arte e da cultura, como eu apaixonadamente acredito, então devem também acreditar na igualdade de acesso, atraindo todos e acolhendo todos."

Saturday, 28 May 2016

Primeiro no nosso coração

Imagem cedida pelo Museu Nacional Soares dos Reis
De que forma poderíamos definir o ‘primeiro’ museu? Será aquele que melhor cumpre a sua missão? Ou aquele em que pensamos primeiro quando ouvimos a palavra ‘museu’ (o sonho de qualquer marketeer)? Será aquele que tem a maior colecção ou aquele que tem a melhor colecção? Será aquele que faz mais exposições? Será o ‘primeiro’ museu aquele que produz muitas notícias para os media, mas continua a trabalhar para a mesma elite? Ou será aquele que raramente é notícia, mas que trabalha para diversificar as suas ‘elites’? Qual deles merece ser considerado ‘primeiro’? E quem atribui a ‘primacia’, o museu a si próprio ou os destinatários, reais e potenciais, da sua acção?

Saturday, 7 May 2016

E então?

"E então?" Uma pergunta / reacção bastante frequente no que diz respeito ao nosso sector, quer verbalmente expressa ou secretamente pensada. É uma pergunta legítima, que raramente estamos disponíveis para discutir.

Rembrandt Harmenszoon van Rijn, "Retrato de Marten Soolmans" e "Retrato de Oopjen Coppit" (imagem retirada do jornal Telerama)

Quando li pela primeira vez a notícia sobre a aquisição conjunta por parte do Louvre e do Rijksmuseum das obras de Rembrandt Retrato de Marten Soolmans e Retrato de Oopjen Coppit, por €160 milhões, não pensei propriamente "E então?", mas sim "Porquê?". Porquê estes dois quadros? Porquê todo esse dinheiro? Quando procurei entender um pouco melhor a importância dessas duas obras (qualquer que fosse a sua importância, dentro do contexto da história da arte ou qualquer outra), fui mais frequentemente confrontada com o adjectivo "raro". Os retratos são "raros", a sua exposição em público foi extremamente "rara”, etc. etc. Isto levantou ainda mais perguntas: Raros como? Porque é que devem ser vistos com mais frequência? Porque é que esses dois museus públicos fizeram um esforço tão grande (financeiro e colaborativo) para os adquirir?

Sunday, 6 March 2016

Passado recente

Exposição Retornar - Traços de Memória, Lisboa
Há umas semanas, li o texto de Lily Hyde Living Memory II, que questiona a construção de narrativas a partir de acontecimentos históricos recentes. Neste caso, o conflito armado no leste da Ucrânia e, especificamente, na cidade de Slavyansk. Um pouco mais de um ano antes, Hyde tinha falado com a directora do Museu de Slavyansk, Lilya Zander, que já estava a coleccionar Troféus de uma guerra incompreensível. Naquela altura, a directora do museu tinha dito que "O nosso trabalho é contar a história da nossa região", acrescentando que "O museu não está a tentar mostrar que está 'a favor' e 'contra'. Estamos a tentar mostrar os factos.”

Monday, 19 October 2015

As armadilhas


Museu dos Coches, Lisboa (imagem retirada de Boas Notícias)

No mês passado, foi noticiado por vários jornais que nos quatro primeiros meses do novo Museu dos Coches houve uma série de acidentes devido a deficiências no projecto arquitectónico. ‘Deficiências' no sentido de terem sido adoptadas soluções (ou, se preferem, de terem sido criados elementos arquitectónicos) que se tornam armadilhas para os utilizadores do espaço (sim, eles existem).