"Acho que é responsabilidade de um director artístico,
ou, digamos, do colectivo que é a instituição artística, dizer ‘aqui está a força
que estou a sentir na nossa comunidade. Mas, afinal, não é nossa responsabilidade
ter uma espécie de eloquência ou articulação em torno disto, que talvez a
própria comunidade sinta, mas não manifesta como uma declaração específica de
necessidade? Então, acho que ser sensível a isso é liderança, dizer ‘aqui está
o que sentimos que está no ar e ao qual pensamos que deveremos dar voz.”
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Friday, 10 April 2020
Saturday, 7 March 2020
E se alguém gostar de brócolos?
Algumas semanas atrás, encontrei uma campanha publicitária
da Folkoperan (Estocolmo, Suécia) chamada “Broccoli vs. Opera”. A ideia
por trás é que a única coisa que as crianças detestam mais do que a
ópera são os brócolos. Assim, quando tiverem que escolher entre os dois... irão
optar pelo mal menor.
A campanha irritou-me. As suas suposições preconceituosas irritaram-me.
O modo como vários profissionais no mundo da música clássica evitam abordar as
barreiras reais, muitas das quais criadas pelos próprios, incomoda-me. Lembram-se
de “Classical Cannabis: the high note series”, promovida pela Colorado Symphony Orchestra em 2014? Esse
tipo de coisa... Tudo, menos tentar compreender melhor o que mantém as pessoas,
de todas as idades, afastadas. Talvez porque uma melhor compreensão exija acção;
e mudança.
Monday, 3 February 2020
Onde estão as oportunidades? A propósito da nova estratégia do Arts Council England
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| Imagem retirada do website do Arts Council England. |
Há uns dias, li no Guardian um artigo sobre
o jovem violoncelista Sheku Kanneh-Mason. Kanneh-Mason tem 20 anos, ficou
conhecido quando tocou no casamento de Harry e Meghan e, há alguns dias, tornou-se
no primeiro violoncelista a chegar ao top 10 de música no Reino Unido. Ele sem
dúvida (e felizmente) teve as oportunidades certas, assim como cada jovem deveria
ter. Aproveitou-as e fez maravilhas com elas.
Kanneh-Mason está consciente da importância de ter a
oportunidade, de ter acesso. "Eu beneficiei de muita educação musical. Pensar
que muitas pessoas não terão nem a mais pequena hipótese de algo com o mesmo
nível é uma vergonha. A diversidade tem de começar muito antes das pessoas irem
às audições. Se a educação não tiver investimento e não for apoiada, nada
mudará.”
Saturday, 4 January 2020
CONFIANÇA radical
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| The People's Studio: Collective Imagination, no novo MoMA (imagem retirada do website). |
Hospitalidade. Coragem. Humildade. CONFIANÇA.
No último encontro do nosso grupo RESHAPE, que reflecte sobre arte e cidadania, escrevi estas quatro palavras, que surgiam
com frequência nos nossos debates. Em especial a palavra “CONFIANÇA”, que trazia também de outros encontros e conversas. Surgiu em
tantas ocasiões nos últimos meses, que, finalmente, chamou a minha atenção.
A 13 de Dezembro, último dia da reunião do RESHAPE, acordámos
com as notícias das eleições britânicas. Um dos primeiros artigos que li naquela
manhã intitulava-se “Why people vote for politicians they know are liars” (Porque
é que as pessoas votam em políticos que sabem que são mentirosos), a pergunta
premente na mente de muitas pessoas.
Saturday, 22 June 2019
Primeiros pensamentos sobre o Plano Nacional das Artes
Houve dois momentos para uma primeira apreciação do Plano
Nacional das Artes (PNA): a sua apresentação pública, no passado dia 18 de
Junho e a leitura do documento. Começarei por partilhar os meus pensamentos sobre
o primeiro.
Sessão esgotada nos estúdios Victor Córdon para ouvir a apresentação
do PNA. Muitos colegas, jornalistas, pessoas que representavam instituições privadas
que apoiam o sector cultural e as artes. Sentia-se a boa disposição e a
expectativa, misturada com alguma desconfiança (“Será desta?). Penso que aquele
momento de encontro e tudo o que se sentia no ar foi um bom sinal de que “o
sector” é constituído por profissionais que continuam interessados e prontos
para se envolver num esforço comum que possa valorizar, apoiar e fortalecer o seu
trabalho e contributo para a sociedade.
Saturday, 14 July 2018
Sunday, 8 July 2018
Profissionais de museus: novas competências
O meu artigo no mais recente Boletim do ICOM Portugal (Série III, Junho 2018, Nº12, pág.25), editado por Ana Carvalho. Ler aqui
Monday, 11 June 2018
Discutindo a descolonização dos museus em Portugal
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| Foto: Maria Vlachou |
Adoro museus. Adoro-os pelo que são; adoro-os pelo que não são, mas podem ser; adoro-os pelo seu potencial. Adoro-os especialmente devido ao trabalho desenvolvido por vários colegas em todo o mundo para que os museus se adaptem a novas realidades, permaneçam ou se tornem relevantes para as pessoas e até se reinventem. Ultimamente, adoro-os particularmente pelas controvérsias que causam ou enfrentam, empurrando o nosso pensamento e prática para a frente.
Sunday, 28 January 2018
TS Elliot, um terrível artista hip-hop
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| Uma imagem do projecto Contratempo no programa do Isto é PARTIS. |
O jornal inglês The Guardian deu recentemente a notícia de uma crítica da poetisa Rebecca Watts, intitulada “O culto do nobre amador”, ao trabalho de um grupo de jovens poetisas que Watts considera que constitui "O óbvio denegrir do envolvimento intelectual e a rejeição do ofício”. A crítica gerou uma discussão muito interessante, e bem-vinda, em relação ao valor da poesia erudita e da poesia popular, sendo que a resposta de Don Paterson (poeta escocês, vencedor do prémio TS Elliot e editor de duas das jovens poetisas) foi cativante: "Não precisa de gostar do que as pessoas fazem, mas penso que deve avaliá-lo em função das suas próprias ambições. Caso contrário, é como dizer que TS Elliot foi um terrível artista de hip-hop. É verdade, e então?”.
Saturday, 13 January 2018
O que o Maria Matos significa para mim (ou: porque é que assinei o abaixo assinado)
No dia 17 de Dezembro de 2017, o jornal Público
publicava uma entrevista da Vereadora da Cultura de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, onde se anunciava que “o [Teatro] Maria Matos (MM) terá um
modelo de programação bastante diferente, com carreiras mais longas e uma maior
preocupação de captação de público, para ser rentável”. A notícia foi, no mínimo,
surpreendente para mim. Diria mais, lembro-me que, ao ler, senti uma espécie de
dor física.
Tuesday, 12 September 2017
Isto é também meu!
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| Eden Condoms, Esther Pi & Timo Waag, Espanha. Candidato ao prémios Rijksstudio 2017 (fonte: Rijksmuseum website) |
As pessoas devem poder usar imagens de coleções de museus em bolos de aniversário, ténis, preservativos ou papel higiénico? Quem protegerá a dignidade dos objetos desse 'assalto'? E a receita que os museus perdem ao não cobrar pelo uso das imagens?
O meu post no blog do CIDOC - International Committee for Documentation sobre as questões levantadas pelas políticas de acesso aberto. Ler aqui
Tuesday, 4 April 2017
Cobrar ou não cobrar: os dados
Tanto quanto sei, as decisões de cobrar ou não cobrar entrada nos museus nacionais nunca se baseiam em estudos. Aqueles que defendem a entrada livre fazem-no em nome da "democratização" e da "acessibilidade" e afirmam que a perda de receita não é significativa (nunca mencionando, no entanto, valores concretos). Aqueles que defendem a entrada paga geralmente falam da necessidade de gerar alguma receita.
Embora a pesquisa prévia e a avaliação sumativa não façam
parte da nossa prática em Portugal, tal não é o caso noutros países. E mesmo
que não tenhamos os nossos dados específicos sobre estas matérias, podemos
sempre aprender com a experiência e o conhecimento partilhado dos outros.
Thursday, 9 March 2017
Saturday, 4 February 2017
À procura de terreno arenoso
“Menores de 30 têm acesso
gratuito aos museus”, lê-se nos jornais portugueses. A medida foi ontem votada
no parlamento.
“Alguém me explica qual é a lógica dos 30 anos?”, questiona
uma colega brasileira.
“Será para estimular jovens famílias, tipo casais com filhos pequenos?”,
responde outra colega. “Será porque se constatou que o desemprego é maior até
aos 30 anos?”
Valerá a pena procurarmos a lógica? Terá havido lógica? Será que a medida
se baseou em qualquer relatório de gestão? Será que se baseou em algum estudo
de públicos? Os profissionais do sector foram consultados? Existem objectivos
concretos que daqui a um ou dois anos poderão ser avaliados?
Sunday, 30 October 2016
MAAT, gerador de expectativas
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| Imagem retirada do website do MAAT. |
Continuo
admirada com a forma como o recém-inaugurado edifício do MAAT – Museu de Arte,
Arquitectura e Tecnologia, da autoria de Amanda Levete, se integra na paisagem.
Quando me aproximo daquela zona ou quando atravesso a ponte, espero sempre ver
um edifício enorme que se sobreponha ou que esconda a Central Tejo. Mas
não...... A Central Tejo continua majestosa, sendo que o novo edifício surge ao
seu lado como uma nota suave e fluída.
O
meu primeiro contacto com o novo museu foi em Junho. Na verdade, tratou-se da
reabertura do “velho” museu (Museu da Electricidade na Central Tejo), depois
das obras de renovação, e foi lançada a marca MAAT. Acompanhei depois a
campanha para a inauguração do novo edifício e li algumas entrevistas do
director do museu, Pedro Gadanho, tendo, assim, formado uma primeira opinião /
expectativa. As várias críticas que surgiram com a inauguração do edifício e
algumas conversas com colegas trouxeram-me mais “food for thought”. A minha
primeira visita ao novo edifício também.
Saturday, 22 October 2016
Ilimitado (Unlimited)
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| "Uma menina perdida no seu século à procura do pai", Teatro Crinabel (Foto: Paulo Pimenta; imagem gentilmente cedida pelo Teatro Nacional D. Maria II) |
Há dois anos, questionava
aqui o propósito dos festivais que apresentam a arte de grupos específicos de
pessoas (gays, negros, pessoas com deficiência, etc). Era Setembro de 2014, e estava
a decorrer a segunda edição do festival Unlimited no Southbank em Londres. “Pergunto-me”, escrevia na altura, "quem é que assiste a
estes festivais, exposições, actividades e o que é que acontece depois? Será
que atraem apenas os já ‘convertidos’ ou um público mais amplo? Serão os
artistas gay ou negros ou com deficiência mais reconhecidos como artistas pelo
sector e pelo público? Estaremos a seguir em direcção a uma representação
inclusiva, onde serão vistos em primeiro ligar como artistas, ou os curadores e
o público vão, na mesma, para assistir a algo “especial”, circunscrito num
tempo e espaço específico, um tempo e um espaço ‘próprio’? Ajudam-nos estes
festivais a aprender a preocupar-nos mais e mais com a arte e menos e menos com
o ‘resto’?
Monday, 3 October 2016
Justin Bieber e o combate ao extremismo islâmico
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Um recente artigo do NPR, intitulado Italy's 'Cultural Allowance' For Teens Aims To Educate, Counter Extremism (O subsídio
de cultura para os adolescentes na Itália pretende educar, combater o
extremismo) demonstra a
confusão que existe, a vários níveis e meios, em relação ao acesso à cultura e
à cultura como panaceia para vários males deste mundo.
O título não é um exagero do jornal. Foi o próprio
Primeiro-Ministro italiano que, ao anunciar este subsídio de cultura (€500 para
cada jovem com 18 anos gastar em produtos culturais), pouco depois dos ataques
terroristas em Paris, em Novembro 2015, afirmou: “Destroem estátuas, nós
protegemo-las. Queimam livros, somos o país das
bibliotecas. Concebem o terror, respondemos com cultura."
Sunday, 25 September 2016
O impacto tem nome: pode ser Telmo ou Rafael ou Gustavo...
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| Telmo Martins, membro da Orquestra Geração (Foto: Maria Vlachou) |
Há uns anos, vi o documentário Waste Land (Lixo Extraordinário). Era sobre o trabalho do artista plástico brasileiro Vic Moniz com os catadores de lixo no maior aterro do mundo, o Jardim Gramacho, na periferia do Rio de Janeiro. Moniz disse que queria mudar a vida de um grupo de pessoas com os mesmos materiais com que elas lidam todos os dias. Juntos, usaram lixo para criar grandes retratos dos próprios catadores, que foram depois vendidos em leilão e o dinheiro distribuído entre os catadores. Os trabalhos foram apresentados em exposições em vários museus de arte contemporânea.
Sunday, 24 July 2016
Gerir museus
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| Imagem retirada do Facebook do Museu Nacional de Arte Antiga |
A reclamação de um novo estatuto jurídico, de um estatuto especial, por parte do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) tem resultado num debate muito saudável no meio dos museus, sobretudo (e infelizmente) depois do anúncio do Ministro da Cultura que este estatuto irá mesmo ser atribuído. Independentemente das críticas, positivas ou negativas, que temos a fazer sobre este caso e sobre este processo, não há dúvida que devemos este debate, muito necessário, ao MNAA, ao seu director, António Filipe Pimentel, e a toda a equipa do museu*.
Wednesday, 22 June 2016
Reflexões governamentais sobre o acesso à cultura
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| "MAPA - O jogo da cartografia", um espectáculo da associação A PELE (imagem retirada do website do Teatro Nacional D. Maria II) |
O Culture White Paper (publicado pelo Departamento de Cultura, Media e Desporto em Março 2016) define
a forma como o governo britânico vai apoiar o sector cultural nos próximos
anos. É o primeiro documento deste tipo em 50 anos e o segundo alguma vez
publicado no Reino Unido.
O documento abre citando o primeiro-ministro britânico,
David Cameron, que afirma: "Se acreditam no financiamento público da arte
e da cultura, como eu apaixonadamente acredito, então devem também acreditar na
igualdade de acesso, atraindo todos e acolhendo todos."
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