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Sunday, 1 December 2019

Peace, Justice, Strong Institutions


Aqui está a minha introdução ao painel “Peace, justice, strong institutions: How can and should museums play a role in an increasingly unbalanced, politically challenged age?” na conferência anual do NEMO em Tartu. Inclui referências a outras apresentações feitas durante a conferência. Ler aqui

Wednesday, 28 August 2019

O desconforto da mudança: será a “fragilidade branca” a nossa principal preocupação?

Imagem reirada de Cyprus Mail.


Num post no ano passado, Nathan “Mudyi” Sentence (Australian Museum) escreveu sobre o seu envolvimento num programa do seu museu para estudantes universitários que discutiu as Gerações Roubadas (a remoção, ao longo do século 20, de crianças de descendência aborígine pelo governo australiano e missões da igreja) e o trauma intergeracional. “Após o programa, um dos alunos comentou anonimamente no formulário de avaliação que sentiu que estava a ser repreendido e que se sentiu mal por ser branco. Achei que essa era uma resposta estranha, quando o assunto era uma realidade e um problema que afecta muitas pessoas das Primeiras Nações, mas ele optou por se afastar porque isso o deixava desconfortável. Achei preocupante, porque a fragilidade dos brancos acabará sempre por se meter no caminho do envolvimento dos colonos em programas que desafiam as estruturas coloniais que os beneficiam. Fiquei preocupado com o facto da fragilidade branca ser mais preocupante para algumas pessoas do que a verdade.”

Wednesday, 7 August 2019

Por nós e pelos nossos amigos

Da esquerda para a direita: o poeta Odysseas Elytis, o compositor Manos Hadjidakis, o encenador Karolos Koun, Theatro Technis 1957, ensaios de "O Círculo de Giz Caucasiano" de Bertolt Brecht © Manos Hadjudakis Archive


A notícia da demissão de Warren Kanders do Conselho Directivo do Whitney Museum deixou-me muito satisfeita. Depois de meses de protestos, o proprietário da Safariland (uma empresa que fabrica “produtos para a aplicação da lei" - noutras palavras, armas, incluindo o gás lacrimogéneo usado contra os imigrantes na fronteira dos EUA) foi forçado a sair, já que muitas pessoas sentiam que ganhar dinheiro com a produção de armas e depois investi-lo filantropicamente na cultura e nas artes é, no mínimo, um oxímoro.

Tuesday, 23 July 2019

Memória que resiste

Uma cena do documentário O Silêncio dos Outros

Há algumas semanas, li num artigo que o impasse nas negociações do Brexit é considerado humilhante para a Grã-Bretanha, tanto por quem votou a favor como por quem votou contra. De acordo com uma pesquisa, 90% dos entrevistados concordaram que a forma como o Reino Unido está a lidar com o Brexit é uma humilhação nacional. O autor do artigo, o Professor de Psicologia Política Barry Richards, referiu-se a uma investigação cada vez mais influente na teoria da psicologia que enfatiza que “a necessidade de dignidade é básica para a nossa constituição psicológica. Sentir que nos foi retirada é muito ameaçador e desestabilizador”. Richards faz a distinção entre o sentimento de humilhação e o sentimento de traição e o seu conselho é evitar endossar e ampliar o sentimento de humilhação. Sugere também que a palavra "humilhação" e outras (como "traidor" ou "traição") não sejam usadas no debate.

Saturday, 23 March 2019

O grande privilégio da vida pública

Imagem do cartaz da peça "O casaco", apresentada em 2018 pelo Grupo de Teatro da Nova.

O recente episódio de blackface numa escola de Matosinhos e a forma como foi comentado são mais um indicador da falta preocupante de espaços de encontro (não virtuais) para o diálogo. Muitos não perceberam o porquê das críticas de racismo a propósito de uma iniciativa que pretendia celebrar a diversidade cultural (de “países” como África, China e Brasil) e acusaram os próprios críticos de racismo e promoção do ódio. A troca de comentários na página de Facebook Blackface Portugal é reveladora da incompreensão, e mesmo da ignorância, em torno desta matéria. Mas, podemos dizer que ficámos chocados ou surpreendidos? Não será essa uma realidade conhecida que, por muito que nos apeteça dizer “já deviam saber”, não lhe podemos virar as costas? Não podemos mesmo, porque continua a influenciar a educação, o pensamento e as noções que grande parte da nossa sociedade tem sobre esta matéria e várias outras. São estas noções que acabam por condicionar a liberdade de vários cidadãos e de perpetuar todos os tipos de racismo e, em certos casos, também a violência.

Sunday, 2 September 2018

Quem é bem-vindo à sua casa e à sua mesa?


À Lambrina e ao Sam, à Eleni e ao Nikos
Aos bons amigos e às boas discussões



Em Junho passado, Sarah Huckabee Sanders, a secretária de imprensa da Casa Branca, foi convidada a sair do restaurante Red Hen. O pedido foi da dona do restaurante.

Em meados de Agosto, a notícia que Marine Le Pen, ex-candidata à presidência de França e líder do partido político Rassemblement Nacional, tinha sido convidada para participar no Web Summit em Lisboa provocou vários protestos públicos. O convite acabou por ser retirado.

Ambos os incidentes levantaram questões relativas à liberdade de expressão; se é possível combater visões políticas extremistas e abordar as raízes da subida da extrema-direita proibindo ou ignorando certos pontos de vista; e se, ao excluirmos algumas pessoas, não nos tornamos como elas.

Saturday, 4 August 2018

Quão fácil é pôr os teus filhos num barco?

Incêndio em Mati (Grécia, 2018; imagem retirada do Facebook)

“Vês como é fácil pôr os teus filhos num barco quando em desespero ou em perigo?”, escreveu alguém no Twitter a 26 de Julho, quando a Grécia se encontrava em estado de choque após o trágico incêndio que causou tantas mortes. No momento em que estavam a emergir as histórias pessoais daqueles que pereceram e daqueles que sobreviveram, que tentaram salvar os seus entes queridos ou pessoas que não conheciam, transformando a tragédia em algo cada vez menos abstrato, alguém fez essa ligação entre as pessoas que colocaram os seus filhos em barcos para ficarem a salvo durante o incêndio e os refugiados que tentam a perigosa, muitas vezes mortal, travessia do mar. Quantas pessoas fizeram essa ligação? Que tipo de pessoas fez essa ligação? Essa ligação ocorreria a alguém com uma atitude negativa em relação aos refugiados e migrantes? Este tweet seria suficiente para fazer alguém reconsiderar?

Sunday, 8 July 2018

Profissionais de museus: novas competências


O meu artigo no mais recente Boletim do ICOM Portugal (Série III, Junho 2018, Nº12, pág.25), editado por Ana Carvalho. Ler aqui

Monday, 11 June 2018

Discutindo a descolonização dos museus em Portugal

Foto: Maria Vlachou

Adoro museus. Adoro-os pelo que são; adoro-os pelo que não são, mas podem ser; adoro-os pelo seu potencial. Adoro-os especialmente devido ao trabalho desenvolvido por vários colegas em todo o mundo para que os museus se adaptem a novas realidades, permaneçam ou se tornem relevantes para as pessoas e até se reinventem. Ultimamente, adoro-os particularmente pelas controvérsias que causam ou enfrentam, empurrando o nosso pensamento e prática para a frente.

Sunday, 20 May 2018

Apropriação cultural: menos guardiões, mais pensadores críticos

"La Japonaise" de Claude Monet, Museum of Fine Arts Boston. (Imagem retirada de http://japaneseamericaninboston.blogspot.com)
Para a Nandia

O meu primeiro contacto com o conceito de apropriação cultural aconteceu em Julho de 2015 devido às “Kimono Wednesdays” no Museum of Fine Arts Boston (MFA). Por ocasião da exibição de “La Japonaise” de Claude Monet (uma pintura da esposa do artista, rodeada de leques, usando uma peruca loira e um quimono vermelho), os visitantes eram convidados a vestir um quimono semelhante ao mostrado no quadro e a partilhar as suas fotos nas redes sociais. Segundo o museu, essa era uma maneira para os visitantes se envolverem com a pintura. Para algumas pessoas, no entanto, a actividade carecia de qualquer contexto em relação ao quimono, tornando-se apenas “divertida”; outros criticaram a iniciativa por estar a reforçar estereótipos e exotizar os asiáticos-americanos; para outros, era racismo flagrante (leiam o artigo de Seph Rodney).

Wednesday, 25 April 2018

O Museu das (minhas) Descobertas

Exposição "Retornar - Traços de Memória", Padrão dos Descobrimentos, 2015 (Foto: Maria Vlahou)

Sou portuguesa por adopção. Quando cheguei a Portugal, em 1995, a única coisa que sabia sobre a história do país tinha a ver com os Descobrimentos (dos caminhos marítimos e das especiarias, ensinada no meu país no 7º ou 8º ano). O resto fui/vou “descobrindo” ao longo dos anos (mesmo no que diz respeito aos Descobrimentos e para além dos caminhos marítimos e das especiarias). A história que me ensinaram na escola era, como é habitual, apenas uma parte.

Sunday, 28 January 2018

TS Elliot, um terrível artista hip-hop

Uma imagem do projecto Contratempo no programa do Isto é PARTIS.

O jornal inglês The Guardian deu recentemente a notícia de uma crítica da poetisa Rebecca Watts, intitulada “O culto do nobre amador”, ao trabalho de um grupo de jovens poetisas que Watts considera que constitui "O óbvio denegrir do envolvimento intelectual e a rejeição do ofício”. A crítica gerou uma discussão muito interessante, e bem-vinda, em relação ao valor da poesia erudita e da poesia popular, sendo que a resposta de Don Paterson (poeta escocês, vencedor do prémio TS Elliot e editor de duas das jovens poetisas) foi cativante: "Não precisa de gostar do que as pessoas fazem, mas penso que deve avaliá-lo em função das suas próprias ambições. Caso contrário, é como dizer que TS Elliot foi um terrível artista de hip-hop. É verdade, e então?”.

Saturday, 13 January 2018

O que o Maria Matos significa para mim (ou: porque é que assinei o abaixo assinado)


No dia 17 de Dezembro de 2017, o jornal Público publicava uma entrevista da Vereadora da Cultura de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, onde se anunciava que “o [Teatro] Maria Matos (MM) terá um modelo de programação bastante diferente, com carreiras mais longas e uma maior preocupação de captação de público, para ser rentável”. A notícia foi, no mínimo, surpreendente para mim. Diria mais, lembro-me que, ao ler, senti uma espécie de dor física.

Thursday, 30 November 2017

Lutas operáticas


Andando pelas ruas de Viena, há três ou quatro anos, vi o cartaz de "Hansel e Gretel" da Oper Frankfurt. Muito tempo passou, mas ainda consigo lembrar-me do sorriso e da sensação calorosa que esse cartaz me provocou. Simples, directo, engraçado, informativo. Foi um momento e foi sobre ópera.

Wednesday, 15 November 2017

I am a native foreigner


Foi esta a minha apresentação ontem na conferência anual do ICOM Europa, que teve lugar em Bolonha. O tema da conferência era "The role of local and regional museums in the building of a People's Europe". Ler mais

Tuesday, 31 October 2017

A pessoa que precisamos de ouvir

Grada Kilomba, The Kosmos 2 (Detail) © Esra Rotthoff, courtesy of Maxim Gorki Theatre. (imagem retirada do website Contemporary And)

Há umas semanas, apareceu no Público um artigo intitulado Grada Kilomba é a artista que Portugal precisa de ouvir
. Até lá, nunca tinha ouvido falar de Grada Kilomba. Na semana que passou, foram inauguradas duas exposições da artista em Lisboa, aparentemente as primeiras na sua terra natal, apesar de Grada Kilomba já ter uma carreira intensa no estrangeiro. Um facto “perversamente coerente”, como dizia o Público, porque “entrar no trabalho de Grada Kilomba – nas suas instalações de vídeo e som, nas suas performances, nas suas leituras encenadas, nos seus textos – é ter de lidar com a história violenta do colonialismo e pós-colonialismo, história na qual Portugal está profundamente entranhado mas que teima em fingir que não é nada com ele.”

Tuesday, 12 September 2017

Isto é também meu!


Eden Condoms, Esther Pi & Timo Waag, Espanha. Candidato ao prémios Rijksstudio 2017 (fonte: Rijksmuseum website)

As pessoas devem poder usar imagens de coleções de museus em bolos de aniversário, ténis, preservativos ou papel higiénico? Quem protegerá a dignidade dos objetos desse 'assalto'? E a receita que os museus perdem ao não cobrar pelo uso das imagens?

O meu post no blog do CIDOC - International Committee for Documentation sobre as questões levantadas pelas políticas de acesso aberto. Ler aqui

Monday, 11 September 2017

Uma questão de relevância

A capa de Story, Agosto 2017.

O meu artigo "A question of relevance" foi publicado em Agosto 2017 em Story, a revista do Queensland Performing Arts Centre, integrada na sua estratégia de educação e editada por Rebecca Lamoin. Nesta edição, procura-se olhar para o conceito de resistência no sector cultural a partir de múltiplos pontos de vista e a propósito da programação Jul - Dez do QPAC. Ler aqui

Wednesday, 21 June 2017

Uma tragédia nacional: o que é que "a Cultura" tem a ver com ela?


No Domingo de manhã as notícias ultrapassavam o pior pesadelo. O grande incêndio na zona de Pedrógão Grande tinha tirado a vida a 19 pessoas. Ao longo do dia, este número foi subindo. O país estava em estado de choque.

O Teatro Maria Matos em Lisboa foi dos primeiros a reagir. Não se limitou a anunciar o cancelamento do espectáculo naquele dia, no seguimento da decretação de luto nacional, mas informou os seus seguidores no Facebook sobre possíveis formas de ajudar e foi actualizando esta informação. Manteve-se solidário e envolvido.

Tuesday, 4 April 2017

Cobrar ou não cobrar: os dados



Tanto quanto sei, as decisões de cobrar ou não cobrar entrada nos museus nacionais nunca se baseiam em estudos. Aqueles que defendem a entrada livre fazem-no em nome da "democratização" e da "acessibilidade" e afirmam que a perda de receita não é significativa (nunca mencionando, no entanto, valores concretos). Aqueles que defendem a entrada paga geralmente falam da necessidade de gerar alguma receita.

Embora a pesquisa prévia e a avaliação sumativa não façam parte da nossa prática em Portugal, tal não é o caso noutros países. E mesmo que não tenhamos os nossos dados específicos sobre estas matérias, podemos sempre aprender com a experiência e o conhecimento partilhado dos outros.