A notícia que o director do Toledo Museum of Art, Alan
Levine, quis "re-enfatizar" nesta altura que o museu não tem uma posição
política soou-me estranha e anacrónica. Não apenas porque me juntei há muito
tempo ao grupo de profissionais da cultura que defendem que a cultura não é
neutra ou apolítica, mas, principalmente, porque no contexto actual dos EUA, e
de outros lugares, as coisas efectivamente mudaram.
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Tuesday, 9 June 2020
Tuesday, 2 June 2020
Não consigo respirar
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| Joe Raedle / Getty Images, retirado de NPR |
O ano de 2014 foi marcado
nos EUA pela morte de negros desarmados nas mãos de polícias nas cidades de
Ferguson, Cleveland e Nova Iorque. Foi o ano em que Eric Garner morreu,
repetindo "Não consigo respirar" ...
Nesse mesmo ano, na sua
declaração conjunta sobre Ferguson e eventos relacionados (que ficou conhecida
como “Museums Respond to Ferguson”), profissionais dos museus posicionaram-se
sobre o papel dos museus perante essas mortes trágicas. Há três pontos dessa
declaração que destaquei num post que escrevi na altura.
Sunday, 1 December 2019
Peace, Justice, Strong Institutions
Aqui está a minha introdução ao painel “Peace, justice, strong institutions: How can and should museums play a role in an increasingly unbalanced, politically challenged age?” na conferência anual do NEMO em Tartu. Inclui referências a outras apresentações feitas durante a conferência. Ler aqui
Wednesday, 7 August 2019
Por nós e pelos nossos amigos
A notícia da demissão de Warren Kanders do Conselho Directivo
do Whitney Museum deixou-me muito satisfeita. Depois de
meses de protestos, o proprietário da Safariland (uma empresa que fabrica
“produtos para a aplicação da lei" - noutras palavras, armas, incluindo o gás
lacrimogéneo usado contra os imigrantes na fronteira dos EUA) foi forçado a
sair, já que muitas pessoas sentiam que ganhar dinheiro com a produção de armas
e depois investi-lo filantropicamente na cultura e nas artes é, no mínimo, um
oxímoro.
Saturday, 5 May 2018
"Lindonéia, a Gioconda do subúrbio", da minha primeira visita à Pinacoteca de São Paulo
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| "Lindonéia, a Gioconda do subúrbio", Rubens Gerchman, Pinacoteca de São Paulo (Foto: Maria Vlachou) |
“Na frente do espelho
Sem que ninguém a visse
Miss
Linda,feia
Lindonéia desaparecida
Despedaçados, atropelados
Cachorros mortos nas ruas
Policiais vigiando
O sol batendo nas frutas
Sangrando
Ai, meu amor
A solidão vai me matar de dor (...)”
Caetano Veloso,
“Lindonéia”
Uma coisa da qual me apercebi logo nas primeiras visitas aos
museus de São Paulo é que se gosta de longas introduções às exposições. A
exposição “Vanguarda Brasileira dos anos 1960 – Coleção Roger Wright”, na
Pinacoteca de São Paulo, não foi excepção.
Wednesday, 25 April 2018
O Museu das (minhas) Descobertas
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| Exposição "Retornar - Traços de Memória", Padrão dos Descobrimentos, 2015 (Foto: Maria Vlahou) |
Sou portuguesa por adopção. Quando cheguei a Portugal, em 1995, a única coisa que sabia sobre a história do país tinha a ver com os Descobrimentos (dos caminhos marítimos e das especiarias, ensinada no meu país no 7º ou 8º ano). O resto fui/vou “descobrindo” ao longo dos anos (mesmo no que diz respeito aos Descobrimentos e para além dos caminhos marítimos e das especiarias). A história que me ensinaram na escola era, como é habitual, apenas uma parte.
Tuesday, 12 September 2017
Isto é também meu!
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| Eden Condoms, Esther Pi & Timo Waag, Espanha. Candidato ao prémios Rijksstudio 2017 (fonte: Rijksmuseum website) |
As pessoas devem poder usar imagens de coleções de museus em bolos de aniversário, ténis, preservativos ou papel higiénico? Quem protegerá a dignidade dos objetos desse 'assalto'? E a receita que os museus perdem ao não cobrar pelo uso das imagens?
O meu post no blog do CIDOC - International Committee for Documentation sobre as questões levantadas pelas políticas de acesso aberto. Ler aqui
Monday, 11 September 2017
Uma questão de relevância
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| A capa de Story, Agosto 2017. |
O meu artigo "A question of relevance" foi publicado em Agosto 2017 em Story, a revista do Queensland Performing Arts Centre, integrada na sua estratégia de educação e editada por Rebecca Lamoin. Nesta edição, procura-se olhar para o conceito de resistência no sector cultural a partir de múltiplos pontos de vista e a propósito da programação Jul - Dez do QPAC. Ler aqui
Wednesday, 21 June 2017
Uma tragédia nacional: o que é que "a Cultura" tem a ver com ela?
No Domingo de manhã as
notícias ultrapassavam o pior pesadelo. O grande incêndio na zona de Pedrógão Grande
tinha tirado a vida a 19 pessoas. Ao longo do dia, este número foi subindo. O
país estava em estado de choque.
O Teatro Maria Matos em
Lisboa foi dos primeiros a reagir. Não se limitou a anunciar o cancelamento do
espectáculo naquele dia, no seguimento da decretação de luto nacional, mas
informou os seus seguidores no Facebook sobre possíveis formas de ajudar e foi
actualizando esta informação. Manteve-se solidário e envolvido.
Saturday, 17 June 2017
O que está a acontecer ao Museu dos Transportes e Comunicações?
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| Museu dos Transportes e Comunicações, exposição "O Automóvel no Espaço e no Tempo", 2015 (Foto: Maria Vlachou) |
Esta semana, estive no Museu dos Transportes e Comunicações
no Porto para um workshop na pré-conferência do ECSITE (a rede europeia de
centros e museus de ciência). Gosto de regressar ao espaço da Alfândega, tenho
boas memórias, como visitante e como profissional. Há dois anos, tinha lá
estado numa conferência da Associação Internacional de Museus de Transportes e
Comunicações, que muito me marcou, e aproveitei para revisitar a exposição do automóvel
(“O Automóvel no Espaço e no Tempo”) e para conhecer a exposição “Comunicar”.
Sunday, 4 June 2017
Ressonâncias
É sempre um prazer e uma inspiração ler os posts de Nina
Simon. Mas os que eu sempre gostei mais foram aqueles em que Nina partilha as suas
aprendizagens pelo facto de ocupar um lugar de responsabilidade, como Year One as a Museum
Director… Survived! ou o mais recente Why We Moved the Abbott Square Opening - A Mistake, a Tough Call and a Pivot.
Estamos todos muito habituados a directores de museus - ou
outras pessoas que ocupam lugares com responsabilidade de liderança no nosso sector
- disponíveis para falar de finais felizes. Raramente do processo, nunca das
falhas. Mesmo quando se sentem forçados a comentar sobre acções e situações que
recebem críticas negativas, parece haver sempre uma forma de dar a volta, encontrar
justificações, focar detalhes irrelevantes, oferecer verdades alternativas.
Qualquer coisa que possa desviar a nossa atenção do que deve ser essencialmente
discutido. Qualquer coisa excepto um claro "É verdade, errámos, estamos
disponíveis para falar sobre isso."
Tuesday, 4 April 2017
Cobrar ou não cobrar: os dados
Tanto quanto sei, as decisões de cobrar ou não cobrar entrada nos museus nacionais nunca se baseiam em estudos. Aqueles que defendem a entrada livre fazem-no em nome da "democratização" e da "acessibilidade" e afirmam que a perda de receita não é significativa (nunca mencionando, no entanto, valores concretos). Aqueles que defendem a entrada paga geralmente falam da necessidade de gerar alguma receita.
Embora a pesquisa prévia e a avaliação sumativa não façam
parte da nossa prática em Portugal, tal não é o caso noutros países. E mesmo
que não tenhamos os nossos dados específicos sobre estas matérias, podemos
sempre aprender com a experiência e o conhecimento partilhado dos outros.
Thursday, 9 March 2017
Saturday, 4 February 2017
À procura de terreno arenoso
“Menores de 30 têm acesso
gratuito aos museus”, lê-se nos jornais portugueses. A medida foi ontem votada
no parlamento.
“Alguém me explica qual é a lógica dos 30 anos?”, questiona
uma colega brasileira.
“Será para estimular jovens famílias, tipo casais com filhos pequenos?”,
responde outra colega. “Será porque se constatou que o desemprego é maior até
aos 30 anos?”
Valerá a pena procurarmos a lógica? Terá havido lógica? Será que a medida
se baseou em qualquer relatório de gestão? Será que se baseou em algum estudo
de públicos? Os profissionais do sector foram consultados? Existem objectivos
concretos que daqui a um ou dois anos poderão ser avaliados?
Sunday, 13 November 2016
Silêncios diplomáticos
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| A Primeira-Ministra da Escócia, Nicola Sturgeon. |
À medida que a Web Summit chegava ao fim em Lisboa, um dia depois da divulgação dos resultados das eleições norte-americanas, a Câmara Municipal de Lisboa colocou alguns outdoors onde se lia: "No mundo livre ainda pode encontrar uma cidade para viver, investir e construir o seu futuro, construindo pontes, não muros. Chama-se Lisboa". Os outdoors foram classificados como "anti-Trump" pela oposição, que disse que preferia pensar “que se trata de uma interpretação abusiva e que a intenção de Medina [presidente da Câmara] não foi a de desrespeitar a escolha democrática do povo americano, que não foi uma demonstração de arrogância ideológica, que não foi uma precipitação oportunista em resultado do deslumbramento pela atenção internacional". Resumindo, a oposição pediu explicações (leia o artigo).
Sunday, 30 October 2016
MAAT, gerador de expectativas
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| Imagem retirada do website do MAAT. |
Continuo
admirada com a forma como o recém-inaugurado edifício do MAAT – Museu de Arte,
Arquitectura e Tecnologia, da autoria de Amanda Levete, se integra na paisagem.
Quando me aproximo daquela zona ou quando atravesso a ponte, espero sempre ver
um edifício enorme que se sobreponha ou que esconda a Central Tejo. Mas
não...... A Central Tejo continua majestosa, sendo que o novo edifício surge ao
seu lado como uma nota suave e fluída.
O
meu primeiro contacto com o novo museu foi em Junho. Na verdade, tratou-se da
reabertura do “velho” museu (Museu da Electricidade na Central Tejo), depois
das obras de renovação, e foi lançada a marca MAAT. Acompanhei depois a
campanha para a inauguração do novo edifício e li algumas entrevistas do
director do museu, Pedro Gadanho, tendo, assim, formado uma primeira opinião /
expectativa. As várias críticas que surgiram com a inauguração do edifício e
algumas conversas com colegas trouxeram-me mais “food for thought”. A minha
primeira visita ao novo edifício também.
Monday, 3 October 2016
Justin Bieber e o combate ao extremismo islâmico
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Um recente artigo do NPR, intitulado Italy's 'Cultural Allowance' For Teens Aims To Educate, Counter Extremism (O subsídio
de cultura para os adolescentes na Itália pretende educar, combater o
extremismo) demonstra a
confusão que existe, a vários níveis e meios, em relação ao acesso à cultura e
à cultura como panaceia para vários males deste mundo.
O título não é um exagero do jornal. Foi o próprio
Primeiro-Ministro italiano que, ao anunciar este subsídio de cultura (€500 para
cada jovem com 18 anos gastar em produtos culturais), pouco depois dos ataques
terroristas em Paris, em Novembro 2015, afirmou: “Destroem estátuas, nós
protegemo-las. Queimam livros, somos o país das
bibliotecas. Concebem o terror, respondemos com cultura."
Sunday, 24 July 2016
Gerir museus
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| Imagem retirada do Facebook do Museu Nacional de Arte Antiga |
A reclamação de um novo estatuto jurídico, de um estatuto especial, por parte do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) tem resultado num debate muito saudável no meio dos museus, sobretudo (e infelizmente) depois do anúncio do Ministro da Cultura que este estatuto irá mesmo ser atribuído. Independentemente das críticas, positivas ou negativas, que temos a fazer sobre este caso e sobre este processo, não há dúvida que devemos este debate, muito necessário, ao MNAA, ao seu director, António Filipe Pimentel, e a toda a equipa do museu*.
Wednesday, 22 June 2016
Reflexões governamentais sobre o acesso à cultura
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| "MAPA - O jogo da cartografia", um espectáculo da associação A PELE (imagem retirada do website do Teatro Nacional D. Maria II) |
O Culture White Paper (publicado pelo Departamento de Cultura, Media e Desporto em Março 2016) define
a forma como o governo britânico vai apoiar o sector cultural nos próximos
anos. É o primeiro documento deste tipo em 50 anos e o segundo alguma vez
publicado no Reino Unido.
O documento abre citando o primeiro-ministro britânico,
David Cameron, que afirma: "Se acreditam no financiamento público da arte
e da cultura, como eu apaixonadamente acredito, então devem também acreditar na
igualdade de acesso, atraindo todos e acolhendo todos."
Saturday, 7 May 2016
E então?
"E então?" Uma pergunta / reacção bastante
frequente no que diz respeito ao nosso sector, quer verbalmente expressa ou
secretamente pensada. É uma pergunta legítima, que raramente estamos disponíveis
para discutir.
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| Rembrandt Harmenszoon van Rijn, "Retrato de Marten Soolmans" e "Retrato de Oopjen Coppit" (imagem retirada do jornal Telerama) |
Quando li pela primeira vez a notícia sobre a aquisição conjunta por parte do Louvre e do Rijksmuseum das obras de
Rembrandt Retrato de Marten Soolmans e
Retrato de Oopjen Coppit, por €160
milhões, não pensei propriamente "E então?", mas sim "Porquê?".
Porquê estes dois quadros? Porquê todo esse dinheiro? Quando procurei entender
um pouco melhor a importância dessas duas obras (qualquer que fosse a sua
importância, dentro do contexto da história da arte ou qualquer outra), fui
mais frequentemente confrontada com o adjectivo "raro". Os retratos
são "raros", a sua exposição em público foi extremamente "rara”,
etc. etc. Isto levantou ainda mais perguntas: Raros como? Porque é que devem
ser vistos com mais frequência? Porque é que esses dois museus públicos fizeram
um esforço tão grande (financeiro e colaborativo) para os adquirir?
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