Monday, 10 January 2011

A iniciativa privada em tempo de crise

O livro de Sir Peter Hall Cities in Civilization aborda as seguintes questões: como é que acontecem as idades de ouro de certas cidades? Porque é que a chama criativa arde de forma tão especial, tão única, em cidades e não no campo? O que é que faz com que uma determinada cidade, num determinado momento, se torne de repente imensamente criativa, excepcionalmente inovadora? Porque é que este espírito floresce durante alguns anos, em geral uma ou duas décadas, e depois desaparece tão repentinamente como apareceu?

Na primeira parte do seu livro, The city as cultural crucible (A cidade como cadinho cultural), Hall analisa as idades de ouro de Atenas, Florença, Londres, Viena, Paris e Berlim. Ao todo, o livro tem quase 1000 páginas. Levarei algum tempo para o acabar, mas já li o capítulo sobre Atenas. É sobre ela que quero escrever.

Foto: GNTO

Atenas, diz o autor, foi a primeira. A primeira em tantas das coisas que, desde aí, se tornaram importantes para a cultura ocidental: democracia, filosofia, escrita sistematizada da história, conhecimento científico, poesia lírica, tragédia, comédia, arte naturalista, arquitectura. Mas porquê ali? E porquê naquela altura? Haverá factores como a geografia, o clima, o crescimento económico, a abundância, a democracia, o pensamento livre, o facto de ter sido provavelmente a primeira cidade global. No entanto, nenhum desses factores constitui explicação suficiente para Peter Hall, sobretudo porque todos eles existiram, duma forma ou doutra, também noutras cidades, noutros territórios, que tiveram os ingredientes, mas esses não se juntaram com a ordem certa, da forma certa.

Para perceber o milagre que foi Atenas, diz o autor, é preciso ser historicamente mais específico. Atenas teve uma localização única, como centro comercial. Foi o comércio que trouxe a exposição às altas culturas do Oriente e também pessoas com muita energia e talento, provenientes de todo o mundo grego e do Mediterrâneo oriental, produzindo um cadinho étnico e cultural único. Depois, foram as invasões do norte que trouxeram novas influências e interromperam o contacto com o Oriente, obrigando a cidade a viver dos seus próprios recursos. A seguir, foi o desenvolvimento de um grande império comercial, que trouxe todos os bens do mundo civilizado aos mercados de Atenas e também dinheiro de impostos e escravos, fornecendo a base para uma muito particular democracia aristocrática. A sociedade e cultura atenienses baseavam-se na exploração: primeiro, existiam graças aos impostos que afluíam do império; segundo, Atenas mantinha aspectos críticos de uma sociedade aristocrática; terceiro, dependia significativamente do trabalho de estrangeiros ali residentes, que alimentavam a economia e foram responsáveis por muitos dos avanços ocorridos. Hall conclui que do conflito entre a ordem antiga e os pregadores da inovação gerou-se uma criatividade única: surgiu uma sociedade que combinava a fina discriminação e padrões críticos da velha sociedade com o cepticismo e inventividade de uma nova ordem.

Enquanto lia a análise de Peter Hall sobre o milagre de Atenas, procurava (inevitavelmente?) identificar ‘o que resta’. No entanto, encontrava mais semelhanças com os factores que levaram a cidade antiga à crise: o colapso económico provocado essencialmente pela guerra com Sparta, o individualismo (tão encorajado pelos Sofistas), o abandono da assembleia, a procura da riqueza pessoal, a perda de fé na e preocupação pela ‘polis’.

Nos últimos meses houve algumas iniciativas na capital grega que indicam que os Atenienses (mas também os Gregos em geral e pessoas de todos os lados do mundo) procuram no legado deixado pelos Gregos antigos respostas que os possam guiar no futuro, que os possam ajudar a redefinir valores e prioridades. No fim de Outubro foi organizada no novo Museu de Acrópolis uma maratona cultural sobre a relação da Grécia moderna e do mundo em geral com o mundo antigo. Um evento que juntou especialistas, intelectuais e artistas de todo o mundo e que durou 12 horas. Semanas depois, o novo Centro Cultural da Fundação Onassis abriu as suas portas com os “Diálogos de Atenas”, uma iniciativa que contou com a colaboração de oito instituições académicas internacionais e colocou a civilização grega no centro de uma reflexão sobre o seu papel na sociedade moderna. Foram organizados seis painéis sobre as temáticas “Identidade e alteridade”, “História e histórias”, “Razão e arte”, “Democracia e estado”, “Ciência e ética”, “Qualidade de vida”.

Foto: Centro Cultural Onassis
Foi na abertura deste novo Centro Cultural da Fundação Onassis que encontrei algo que liga a cidade moderna à antiga: a entrega livre e voluntária de parte da riqueza pessoal à cidade (na Grécia antiga os impostos eram considerados indignos de um cidadão livre, mas esta entrega voluntária era esperada e honorífica). Chamava-se leitourgia (serviço) e financiava a construção de edifícios públicos, eventos desportivos, banquetes, etc. No entanto, a leitourgia mais importante era a khoregia (palavra que podemos traduzir por ‘patrocínio’), que servia para pagar os membros do coro das tragédias e comédias.

A Fundação Onassis tem abraçado este espírito, tal como muitas outras fundações privadas, e a abertura do centro cultural é disso prova. Nas palavras do seu presidente, Antonis Papadimitriou: “A perda global de confiança das pessoas precisa de respostas de apoio. Mais que nunca, o teatro, a dança ou as artes plásticas podem providenciar este espaço necessário para a reflexão. O Centro Cultural Onassis, ao escolher apoiar a criação contemporânea num país virado sobretudo para o seu património, tem um papel determinante a desempenhar para dar sentido aos debates actuais” (jornal Le Monde de 23.12.2010).

O Estado Grego moderno, criado em 1830, beneficiou nas primeiras décadas da sua vida do apoio financeiro de muitos Gregos abastados da diáspora. Hoje em dia, o país continua a contar muito com a iniciativa privada em várias áreas da vida pública, inclusivamente na cultura. Nessa mesma avenida onde abriu agora o Centro Cultural Onassis, a Fundação Niarchos (que tinha sido o grande rival de Onassis) está a construir o novo edifício da Biblioteca Nacional e do Teatro Nacional de Ópera.

Em tempo de crise, económica e sobretudo social, encontra-se ‘refúgio’ na cultura. A iniciativa privada assume também responsabilidades, contribui, ‘devolve’ à sociedade. Uma ‘devolução’ voluntária e honorífica, que não se concretiza procurando fazer negócio com o estado. Afinal, parece que resta algo.

Friday, 7 January 2011

Sugestão de leitura: Não há crises, apenas decisões difíceis

Relativamente a algumas das questões levantadas no meu post Um abraço azul, ou de outra cor qualquer, à crise, sugiro a leitura de um post no blog The Artful Manager, intitulado The fine art of self destruction, sobre o discurso de Russell Willis Taylor na conferência da League of American Orchestras no verão passado. No fim do post, poderão encontrar o vídeo do referido discurso.

Monday, 3 January 2011

"No logo": o novo grande movimento político?

O livro No logo de Naomi Klein foi publicado em 2000. Encontrei referências ao mesmo quando preparava os posts Livremo-nos da ditadura dos logos e Logos tamanho XXL. Li-o pela primeira vez agora, numa edição que celebra o 10º aniversário da primeira publicação. O resultado de quatro anos de investigação de Naomi Klein dá um outro significado, maior, à expressão “ditadura dos logos”.

Na introdução, a autora explica o objectivo da sua pesquisa: “(...) o livro é uma tentativa de analisar e documentar as forças que se opõem ao domínio corporativo e de apresentar o conjunto particular de condições culturais e económicas que tornaram inevitável o aparecimento desta oposição.” Klein acredita que, à medida que cada vez mais pessoas descobrem os segredos da hegemonia das marcas na nossa sociedade e no nosso mundo globalizado, a sua indignação irá alimentar o próximo grande movimento político. A análise é feita nas três primeiras partes do livro (No space; No choice; No jobs), às quais se segue a quarta parte (No logo), onde a autora apresenta os indícios (menores e maiores) que fundamentam a sua teoria sobre a criação de um grande movimento anti-corporativo.

A primeira parte, No space (Sem espaço), examina a rendição da cultura e da educação ao marketing. Os marketeers deram total prioridade ao branding (processo de criação da marca), convencidos que para os consumidores não existem diferenças entre produtos; e que o que eles compram são as marcas – e com elas a promessa de uma ideia, uma experiência, um estilo de vida. Nos anos 90 a marca tornou-se na estrela, não patrocina a cultura, mas é ela mesma a cultura. Cidades, bairros, programas televisivos, concertos, revistas, eventos desportivos tornam-se em extensões das marcas que os patrocinam. O mesmo acontece nas escolas e universidades (concretamente nos EUA e no Canadá), onde, em troca de financiamento necessário para equipar estes estabelecimentos e para continuar com a investigação, as marcas tornam-se elas próprias em produtores de conteúdos educativos e controlam os resultados da investigação científica, impedindo a publicação daqueles que não lhes sejam favoráveis. Entretanto, pressionadas para optimizar os seus recursos financeiros para vender num mundo globalizado, as marcas promovem e vendem a ideia da diversidade. Assim, criando uma única campanha para o mundo inteiro, forçam os consumidores a falar uma língua e a absorver uma cultura (a da marca), o que leva Naomi Klein a afirmar que estamos aqui perante não uma ‘monocultura’, mas sim um ‘mono-multiculturalismo’.

A segunda parte, No choice (Sem escolha), descreve como a promessa de uma gama alargada de escolhas culturais foi traída. O desejo de expandir e controlar o mercado levou a fusões, compras e sinergias entre marcas, que assim tentam, e conseguem, expulsar os pequenos negócios e os negócios independentes. Igualmente preocupantes são para Naomi Klein as acções de censura corporativa, que determinam não só o que vai ser comercializado, mas o que é produzido também (desde a letra de canções às capas de revistas), enquanto em muitos casos, produtores, distribuidores e vendedores são propriedade das mesmas empresas (destaque especial à relação de algumas dessas empresas com a China). A autora fala ainda extensivamente das acções judiciais relacionadas com copyright e trademark, na tentativa de controlar a produção artística e cultural na reutilização e reconfiguração de linguagens e referências culturais partilhadas por todos, essencialmente quando se trata de artistas independentes. Chama, por fim, a atenção para o facto de se estar a perder o espaço onde possam existir opções não associadas às marcas, onde possa ser cultivado o debate e a crítica. A praça pública é substituída pelos centros comerciais, onde é tolerada apenas a linguagem do marketing.

A terceira parte, No Jobs (Sem emprego), examina as tendências no mercado de trabalho que estão a criar relações cada vez mais ténuas entre muitos trabalhadores e o emprego. Naomi Klein viajou até às Filipinas e entrou numa das zonas free-trade (presentes em vários países da Ásia e da América Latina), onde recolheu testemunhos sobre a exploração de milhares de trabalhadores que, contratados por terceiros e não directamente pelas marcas, fabricam os produtos comprados e comercializados por elas. A autora aborda ainda a exploração dos funcionários nos países do primeiro mundo, onde as marcas são ainda obrigadas a empregar pessoas nos pontos de venda. Aqui reina o part-time e os baixíssimos salários. Ou até a falta de salário. As marcas afirmam estar a empregar jovens, estudantes, que estão de passagem e que ganham experiência. A verdade é que se trata cada vez mais de pessoas com altas qualificações e que ficam por muito tempo, devido à falta de melhores oportunidades de emprego. O resultado, diz Naomi Klein, é o ressentimento e a total falta de lealdade para com o empregador, ainda por cima no meio de uma população jovem, que é o público-alvo prioritário das grandes marcas.

Fonte: www.woostercolletive.com
É o ataque aos três pilares sociais do emprego, das liberdades cívicas e do espaço cívico que, de acordo com Naomi Klein, está a dar origem ao activismo anti-corporativo. Na última parte do seu livro, No logo (Sem logo), a autora apresenta vários casos que vêm fundamentar a sua teoria sobre a criação de um movimento político. Fala-nos aqui do culture jamming, ou seja a prática de parodiar publicidades e de ‘assaltar’ cartazes para alterar as suas mensagens (destaque para o artista cubano-americano Jorge Rodriguez de Gerada, o performer canadiano Jubal Brown e o movimento Billboard Liberation Front); fala ainda do movimento Reclaim the Streets, que organiza eventos anti-corporativos em espaços públicos; mas fala sobretudo de inicitivas que denomina de “política externa localizada” - a mais eficiente, na sua opinião -, onde apresenta acções levadas a cabo por conselhos municipais, escolas, universidades, igrejas, sindicatos, outras instituições sem fins lucrativos e grupos de indivíduos, no sentido de pressionar as grandes marcas a assumir uma conduta ética e socialmente responsável e a dar provas da mesma.

Ao longo das mais de 450 páginas lemos sobre a filosofia, a actividade e as tácticas de marcas que fazem parte do nosso quotidiano e de muitas das quais somos regularmente ou pontualmente clientes: Nike, Adidas, Reebok, Starbucks, Coca-Cola, Pepsi, McDonald´s, Shell, BP, Ralph Lauren, Tommy Hilfiger, Esprit, Levi Strauss, GAP, IBM, Microsoft... Sentimo-nos revoltados e ao mesmo tempo esmagados, impotentes. Lembro-me de ter tido o mesmo sentimento de revolta e impotência ao ver dois filmes relacionados com esta temática que foram apresentados em Lisboa em 2010: Enjoy Poverty, do realizador holandês Renzo Martens, apresentado no âmbito do alkantara festival; e Black Gold, de Nick e Marc Francis, apresentado pelo programa Próximo Futuro. A retórica e as imagens do primeiro dominaram o meu consciente e subconsciente durante semanas. Depois de ver o segundo, fui incapaz de voltar a entrar num Starbucks; e tenho procurado maneiras de evitar os produtos da Nestlé (parece uma missão quase impossível). Mesmo assim, não deixo de me questionar sobre a diferença que pode fazer o facto de uma pessoa deixar de consumir os produtos de uma ou outra marca. O sentimento de impotência permanece connosco. Na altura que vi o Black Gold, encontrei uma resposta ao descobrir na internet a iniciativa Fair Trade Towns. E agora encontrei mais uma no livro de Naomi Klein, nas palavras de Owens Saro-Wiwa, irmão do escritor e candidato para o Nobel de Literatura Ken Saro-Wiwa (un dos líderes do Movimento para a Sobrevivência do Povo Ogoni - um povo ameaçado pela actividade da Shell na Nigéria - que foi executado pelo governo nigeriano). Diz Owens Saro-Wiwa: “É importante não fazer as pessoas sentirem-se impotentes. Apesar de tudo, têm que pôr gasolina nos seus carros. Se lhes dissermos que todas as companhias são culpadas, sentirão que não há nada a fazer. O que estamos realmente a tentar fazer, agora que temos estas provas contra esta companhia concreta, é deixar as pessoas sentir que podem ao menos ter a força moral de fazer uma companhia mudar”.

Monday, 27 December 2010

Enquanto se espera pelos mármores

O novo Museu de Acrópolis parece um enorme meteorito que caiu no meio de uma área densamente construída. Não é fácil apreciar o edifício do exterior, falta-lhe uma zona de ‘respiração’ à volta. À medida que nos aproximamos, obtendo vistas diferentes dos diversos volumes que o compõem, poderíamos até dizer que se trata de um objecto estranho e feio, que se impõe de forma arrogante no espaço onde se insere.

No entanto, a obra do arquitecto suiço Bernard Tschumi, em colaboração com o arquitecto grego Michael Photiadis, conquista-nos incondicionalmente a partir do momento que nos encontramos no seu interior. Este não é um edifício que se sobrepõe aos objectos que é suposto exibir. Antes, parece que cada espaço foi concebido a pensar concretamente nas peças que iria albergar. As vistas sobre a excavação subterrânea (através do chão de vidro) assustam – devido à altura - e impressionam. O corredor principal que dá acesso à área expositiva – chamado “as enconstas de Acrópolis” – dá-nos a sensação que fazemos mesmo parte da procissão que está a subir para entregar as oferendas ao templo da deusa Atena. Na sala do período arcáico entramos num jardim de estátuas, solenes, sorridentes, algo tristes. Bonitas.
Foto: Aris Messinis (Agence France-Presse)

Todo o terceiro e último piso do museu é dedicado ao Partenon. Luminoso, airoso, com uma vista directa e deslumbrante sobre a Acrópolis e o Partenon, tem as dimensões exactas do templo de Atena. A maioria dos objectos aqui expostos são cópias de gesso do friso e das métopas originais, que se encontram no British Museum, em Londres.
Foto: http://hellasbutnotleast.blogspot.com

Foto: http://greatfi.com
A batalha para a devolução dos originais à Grécia insere-se numa discussão maior, a nível internacional, sobre a restituição de antiguidades aos seus países de origem (se bem que a utilização do termo ‘países’ neste contexto poderá não ser a mais precisa). Para além da Grécia, países como Itália, Egipto, Perú, Nigéria, Etiópia e outros, reclamam junto de museus americanos, britânicos, franceses, alemães, a devolução de peças que consideram fazer parte do seu património cultural, chegando às vezes a promovê-los como símbolos nacionais, objectos de orgulho nacional.

Esta parece ser uma batalha entre estados nacionalistas e museus universais. Em Dezembro de 2002, dezoito museus (todos eles norteamericanos e europeus) assinaram a Declaração sobre a Importância e Valor dos Museus Universais. Condenando o tráfego ilegal de objectos arqueológicos, artísticos e étnicos, consideram, no entanto, que objectos adquiridos há mais tempo (não especificam quanto) deverão ser vistos à luz de sensibilidades e valores diferentes, próprios daquela época. Esses objectos, lê-se na declaração, fazem hoje em dia parte dos museus que cuidaram deles e que os tornaram acessíveis a um público internacional. Não pertencem aos cidadãos de uma nação, mas a pessoas de todas as nações. Em 2008, o polémico livro de James Cuno Who owns antiquity? Museums and the battle over our ancient heritage veio apoiar a posição dos museus universais. Cuno afirma que esses deveriam ter a liberdade de adquirir antiguidades mesmo quando a sua origem é incerta, para evitar que as mesmas ‘se percam’ em colecções privadas, não permitindo aos grandes museus cumprir a sua missão de educar o público sobre várias culturas, exibindo objectos de todos os períodos e continentes.

Duas das críticas mais equilibradas ao livro de James Cuno foram escritas por Tom Flynn e pelo arqueólogo Colin Renfrew. Flynn critica aquela que considera uma visão paternalista e colonialista dos museus universais. Aponta para o facto de todas as pessoas que contribuiram com textos serem directores de museus norteamericanos (com a excepção de Neil McGregor, director do British Museum) e para a falta de referência à relação que América e Europa deveriam procurar estabelecer com outros países, cujos museus não são de todo mencionados no livro (ler artigo completo aqui). Renfrew, por seu lado, critica Cuno por reclamar para os museus universais uma liberdade sem regulação, sem nenhuma diligência, na aquisição de antiguidades e defende a necessidade de serem elaborados códigos e políticas claras de aquisição a nível internacional (ler artigo completo aqui).

Esta é uma discussão muito mais vasta e complexa, que ultrapassa os limites do resumo que se faz aqui. Os argumentos de ambas as partes merecem ser analisados com atenção e objectividade. No entanto, e não querendo simplificar demasiado uma questão bastante complexa, diria que não receio que as solicitações para a repatriação de certos objectos esvaziem os chamados museus universais e os impeçam de proceder e cumprir a sua missão, como temem os seus defensores. Os pedidos são muito específicos, muito concretos, não dizem respeito a todo e qualquer objecto que se encontre nas colecções desses museus, e de outros.

Quando olho para o Partenon, vejo um monumento amputado. Acho que os originais do friso e das métopas deveriam ser devolvidos, uma vez que existem as condições. Devolvidos não à Grécia e aos Gregos, mas ao seu contexto natural, histórico e cultural, para serem apreciados por cidadãos do mundo inteiro, aos quais pertencem.

Outras referências
Elginism
The Committee for the Reunification of the Parthenon MarblesLista de artigos de Kwame Opoku no portal Modern Ghana
Who draws the borders of culture? (Artigo de Michael Kimmelman no New York Times de 5 de Maio de 2010)
The Medici conspiracy: The illicit journey of looted antiquities - From Italy´s tomb raiders to the world´s greatest museums (Livro de Peter Watson e Cecilia Todeschini)

Monday, 20 December 2010

Gravado na memória

No post Let´s talk business, de Maio passado, falava do recurso às memórias e da análise das mesmas como uma forma de avaliar o impacto da visita a um museu ou uma exposição ou um espectáculo. Tenho estado a acompanhar com interesse a publicação no blog Museum Audience Insight de alguns dos resultados preliminares de um grande inquérito a frequentadores de museus.

Museum Audience Insight é o blog dos
Reach Advisors, uma empresa americana de investigação e estratégia em marketing que trabalha com muitos museus. No início do ano lançaram este inquérito, com o objectivo de recolher dados que pudessem dar respostas a questões como:

- As experiências em museus durante a infância afectam as motivações e as expectativas dos frequentadores adultos dos museus?
- Se alguns tipos de experiências durante a infância são comuns entre os visitantes adultos que mais se envolvem com os museus, os museus hoje poderão oferecer experiências similares às crianças?
- As visitas escolares são cruciais na criação de uma nova geração de frequentadores de museus?
- A curiosidade é importante como motivação?

O inquérito foi lançado através das mailing lists, páginas de Facebook e Twitter de 103 museus em 5 países (EUA, Canadá, Reino Unido, Nova Zelândia, Austrália e Índia), sendo que 97% das pessoas que participaram residiam nos EUA. Foram recebidas mais de 40.000 respostas. A metodologia é explicada
aqui e aqui.

Uma das principais linhas do inquérito diz respeito às memórias da infância. Os investigadores procuram, entre outras coisas, perceber quais os factores que tornam a experiência num museu memorável; quais as idades mais impressionáveis; como é que as experiências durante a infância diferem entre os vários segmentos de público. Pediram aos inquiridos para relatarem a sua primeira ou mais forte memória da visita a um museu, para indicarem a idade que tinham na altura e com quem estavam. A seguir, podiam relatar tudo aquilo de que se lembravam da visita.

Em termos gerais, a idade da primeiríssima ou mais forte memória de uma visita a um museu são os 7 anos. Mais de metade dos inquiridos tinha na sua memória a presença da sua mãe. Um pouco menos de metade lembrava-se do seu pai. As visitas escolares são cruciais nos hábitos de visitação dos adultos, sobretudo entre as pessoas cujos pais tinham mais baixas habilitações literárias. As memórias diziam respeito a museus de história e sítios históricos (24%), museus de história natural (21%), museus e centros de ciência (21%), museus de arte (17%).

Nos últimos dois meses, os Reach Advisors têm publicado mais resultados, mais específicos, do inquérito, todos complementados com relatos das pessoas que participaram no mesmo. A 28 de Outubro houve um post totalmente dedicado aos museus de história natural (
“When you´re seven, it´s all about the dinos, baby!”). Isto porque a análise dos dados mostrou que as memórias desses museus em particular ficam com as pessoas durante décadas, memórias essas vivas e detalhadas. Os factores determinantes aqui são a escala dos objectos expostos, os dinossauros, os dioramas, mas, surpreendentemente, também as rochas e os minerais. Há também muitas memórias das lojas desses museus.

Seguiu-se um post sobre experiências interactivas
(“Hands-on exhibits are very fun!” – Hands-on experiences in childhood memories). Através da análise das respostas, os investigadores concluem que estes são componentes muito importantes das experiências nos museus. No entanto, as memórias das actividades interactivas em si são menos vivas e detalhadas, a não ser que estejam associadas a um objecto específico ou uma exposição.

Um outro elemento que pode marcar profundamente as memórias de uma visita é o edifício em si. No post
“A grand and beautiful building with cool things’ to look at” – Architecture in early childhood museums memories” lê-se que em certos casos, mais do que os objectos expostos ou as actividades, são os edifícios que marcam as memórias das pessoas. No entanto, a escala e a grandeza de muitos deles não os torna frios e proibitivos para as crianças, ao contrário do que se poderia esperar. Quase todas as memórias são positivas e certas entre eles dizem respeito a edifícios mais pequenos e modestos.

Nos posts
“Museums are awesome!” e “Awesome? Try fascinating!” analisa-se a linguagem utilizada na descrição das memórias. A escala de edifícios e objectos, assim como tudo o que tem brilho, é belo ou exótico, impressiona as crianças e fica na sua memória. Essas experiências são descritas como ‘impressionantes’ (se bem que esta não deve ser a melhor tradução para ‘awesome’, que é algo que ao mesmo tempo impressiona e mete medo). No entanto, quando se trata de experiências que despertaram o interesse num determinado objecto ou o desejo de aprender mais, o adjectivo mais usado é ‘fascinante’.

O último post desta série (seguir-se-ão outros) intitula-se
Career choices: how museums sometimes make a difference. Apresenta os casos (poucos, é verdade, mas significativos) de pessoas para as quais a visita a um museu despertou o interesse sobre uma temática específica que determinou a escolha de carreira quando se tornaram adultas.

Eu tinha 8 anos quando visitei pela primeira vez o Louvre. Ia seguindo os meus pais pelas salas e corredores, até que chegámos aos pés de uma grande escadaria. E quando levantei os olhos, vi no topo a Vitória de Samotrácia. Fiquei profundamente impressionada, não conseguia tirar os meus olhos dela. Não sei se foi naquele preciso momento, mas foi durante aquela viagem que disse aos meus pais que queria trabalhar num museu (mudei muitas vezes de ideias nos anos que se seguiram…). E sempre que volto ao Louvre, aproximo-me da escadaria esperando e sabendo que Vitória de Samotrácia irá ter o mesmo impacto em mim,
como da primeira vez.

Qual é a vossa primeira ou mais forte memória da visita a um museu?

Thursday, 16 December 2010

Blogger convidado: Do acesso à cultura, por Cecília Folgado

Nos últimos dias o acesso à cultura e a consagração universal dos direitos culturais estão no centro do discurso de todo o sector cultural. Pessoalmente, não me regozijo com a centralidade do tema. Confesso que me enerva e me leva a pedir tempo de antena em blogue emprestado.

O nervoso surge da minha experiência pessoal e claro que os que me conhecem já sabem que cresci numa cidade (capital de distrito) sem cinema, sem biblioteca e com a actividade cultural centrada no grupo de teatro local, no seu festival internacional e nas festas da cidade. Havia também, e claro, a televisão, onde se ia descobrindo coisas, filmes, músicas.

Saí dessa cidade em 1993 e, 17 anos e um CAE depois (resultado da rede de cine-teatros imaginada pelo ministro Carrilho), a diferença não é grande. É certo que há mais oferta, que há espectáculos, há até um festival de jazz. E há um museu novo. O cinema continua a ser residual bem como outras formas de expressão cultural e artística. Ainda há, claro, a televisão, a que hoje se adiciona a internet (que dá a ilusão de estarmos no centro de tudo e de termos acesso a tudo).

Nos últimos tempos, a centralidade do tema do acesso à cultura e a sua reivindicação faz-se no contexto do corte de 23% sofrido pelas estruturas apoiadas quadrienalmente pelo MC (corte esse, na verdade, sofrido por todas as estruturas apoiadas). Ora, a bem da honestidade, o que se está a reivindicar não é o acesso à cultura, o que está em causa é exclusivamente o acesso aos meios financeiros necessários por parte de uma parcela do sector cultural: os criadores e as suas estruturas. (Uma parcela central, mas ainda assim uma parcela, porque nem só de criação ou de criadores se faz a cultura).

O financiamento estatal é necessário, é certo, ainda que a medida, a forma e a oportunidade do mesmo devesse ser com urgência e seriedade pensada; mas há que ser distanciado do direito ao acesso à cultura. Este último maior, mais largo e mais fundamental que qualquer sistema de financiamento.

O acesso à cultura implica que todos tenhamos as mesmas oportunidades, tenhamos nascido em Portalegre ou na Cova da Moura, andemos ou não de cadeira de rodas, saibamos ou não ler e escrever. É este acesso que a UN consagra: o acesso que permita a igualdade e a não exclusão. Este acesso, efectivamente reconhecido e garantido, só será efectivado se nos dermos ao trabalho (nós, o sector cultural) de pensarmos uma política cultural consistente, inteira, para o futuro, uma política que fortaleça o tecido cultural, nas áreas de expressão, de criação, mas também e muito fundamentalmente no território; só será efectivado quando percebermos que o financiamento é um investimento e que deverá ir além da criação, que deverá ir além da produção;

É certo que em tempo de crise e em tempo de cortes o susto e o medo são grandes: o sector é frágil e é órfão (6 ‘adopções’ em 11 anos), a dependência (fomentada pelo Estado) imensa. Mas, como já se escreveu noutros textos e noutros blogues, talvez este seja tempo de oportunidades. Melhor será que o tempo e a energia gastos a reivindicar os milhares que não existem se use para olhar para cada um de nós, cada agente, cada estrutura, cada área de expressão e para tentar perceber de que modo podemos trabalhar melhor, mais eficientemente; trabalhar mais eficientemente não para ‘lucrar’ ou para nos tornarmos ‘mercadores’ da cultura e sim, para que o sector e a cultura não sucumbam a cada mudança ministerial ou a cada crise económico-financeira, e sim para que garantamos o acesso efectivo e de todos à cultura.

CECÍLIA FOLGADO Formada em Gestão de Marketing pelo IPAM - Matosinhos e em Arts Management (MA) pela City University - Londres. Nas áreas da Gestão Marketing e da Produção Cultural trabalhou com o Núcleo de Experimentação Coreográfica (NEC), Companhia Instável, Fundação Narciso Ferreira de Riba de Ave (2000-2003), Henri Oguike Dance Company e Akram Khan Company, (Londres, 2003-2006). Em 2007 fez parte da equipa de produção do Fórum Cultural o Estado do Mundo (Fundação Calouste Gulbenkian). É, desde Julho de 2007, Adjunta da Direcção de Comunicação do São Luiz Teatro Municipal. Dedica-se ainda ao estudo das Cidades Criativas e do desenvolvimento sustentável por via do planeamento cultural, áreas em que desenvolveu tese académica, e à formação em Comunicação e Marketing (Setepés) e em Gestão Cultural (Escola Superior de Teatro e Cinema - IPL).

Monday, 13 December 2010

Um abraço azul, ou de outra cor qualquer, à crise

Há dois anos fui comprar bilhetes para um espectáculo no Teatro Municipal de Almada (TMA). A funcionária da bilheteira informou-me que pelo valor dos bilhetes (ou um pouco mais, não me lembro ao certo) poderia tornar-me membro do Clube de Amigos do TMA. Assim, durante um ano teria entrada gratuita nos espectáculos de produção própria desse teatro, descontos significativos noutras produções, assim como bilhetes gratuitos ou com desconto para todos os meus acompanhantes (independentemente do número). Não sendo difícil fazer as contas, apercebi-me que pelo preço de quatro bilhetes para um espectáculo (dois de adulto e dois de criança) poderia praticamente ter acesso quase gratuito a toda a temporada do TMA. Lembro-me de ter pensado na altura que o TMA não parecia estar muito preocupado em gerar receitas; e que mais valia assumir que a entrada era livre para os seus espectáculos, em vez de dar a ideia que as contas não estavam muito bem feitas ou que não existia um objectivo ‘maior’ por trás da criação do Clube de Amigos.

As instituições que recorrem ao sistema das assinaturas fazem-no normalmente para garantir benefícios para a própria instituição e para os seus públicos (públicos fieis e outros que pretende fidelizar). Uma grande parte do livro de Philip Kotler e Joanne Scheff
Standing Room Only: Strategies for Marketing the Performing Arts é dedicada às políticas de bilheteira e às estratégias que têm como objectivo a fidelização de públicos. Entre os benefícios que as assinaturas trazem à instituição, os dois autores indicam: a garantia de receita; a possibilidade de reduzir os custos para a promoção dos espectáculos (os custos para atrair novos membros e convencer membros antigos a renovar são inferiores aos custos para atrair pessoas que adquirem bilhetes pontualmente, para determinadas produções); um espaço maior para o director artístico poder experimentar; garantia de mais espectadores para a programação ‘alternativa’ ou experimental ou para projectos que não envolvem artistas conhecidos e populares, uma vez que está tudo incluído no ‘pacote’. Por outro lado, o público que assina pode beneficiar de descontos; pode ter prioridade na escolha de lugar; pode ter o direito de trocar bilhetes; pode ter acesso a uma série de serviços complementares (estacionamento, descontos no restaurante, eventos especiais, programas educativos, encontros com os artistas, etc.); é-lhe dada a possibilidade e a oportunidade de ‘educar’ os seus gostos, mais uma vez porque o ‘pacote’ inclui também propostas experimentais, novas, menos conhecidas.

Fiquei, por isso, a pensar quais teriam sido os objectivos do TMA ao criar o Clube de Amigos, uma vez que o preço da assinatura não parecia poder (ou querer, talvez) garantir os benefícios acima mencionados. Eu não cheguei a renovar a minha assinatura no ano seguinte: uma opção pessoal, claro, que tem a ver com o meu estilo de vida, a minha necessidade de ter maior liberdade e flexibilidade na escolha dos espectáculos que fazem parte da (grande) oferta na zona de Lisboa; uma prova que quando um espectador não investe realmente na assinatura não sente que perde algo ao não frequentar um maior número de espectáculos e consequentemente perde o incentivo de renovar; e
uma prova ainda que o preço extremamente baixo e as entradas gratuitas não são só por si suficientes para fidelizar o público, mesmo aquele que vê muitos espectáculos. (A propósito da questão das entradas gratuitas, um tema que foi também abordado neste blog aqui e aqui, um post recente no blog Arts Marketing constitui um excelente resumo dos pontos a considerar.)

Voltei a pensar no Clube de Amigos do TMA quando na semana passada recebi por correio azul uma convocatória para uma reunião geral (apesar de já não ser membro), assinada pelo encenador e Director do TMA Joaquim Benite. No Domingo passado recebi também um telefonema para confirmar a minha presença na reunião. O propósito da reunião era o corte de €150.000 imposto pelo Ministério da Cultura, equivalente a 10% do orçamento global do teatro. Entre as afirmações do Director do TMA lia-se: “(…) uma situação de crise que favorece o desenvolvimento da confusão e o fortalecimento daquelas forças que não desistem de empurrar a Arte e a Cultura para as ‘leis do mercado’ (…)”; “(…) revigoramento da luta já antiga e persistente contra as subvenções dos Poderes Públicos aos Teatros, tendo por fim a mercantilização da Cultura e da Arte e a subversão do preceito constitucional que garante o direito de todos à fruição cultural e artística.”; “No TMA não estamos dispostos a assistir a esta avançada do Ministério da Cultura de uma forma conformista e passiva”. (Joaquim Benite assina ainda
este texto no site do TMA).


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Fiquei a pensar até que ponto a própria forma do TMA reagir à crise e à situação concreta gerada pelos cortes em Portugal não estará a revelar algum conformismo e passividade. Quem diz TMA, diz também outras estruturas. Muitos países passaram ou estão a passar por crises idênticas. Em todos eles ouvem-se vozes, oficiais e outras, que consideram a crise uma oportunidade de olhar para o sector e para a forma como funciona, um olhar esse que deve ser honesto e realista. Em vez de nos agarrarmos aos direitos ‘adquiridos’, à nossa dependência do Estado, a uma retórica que pretende equiparar a gestão saudável e eficiente das nossas instituições à mercantilização da nossa oferta, não será este o momento de procurarmos estabelecer outras relações, que nos permitirão criar uma visão mais arrojada e perspectivar um futuro mais estável e sustentável? Não será este o momento de avaliarmos os recursos (financeiros e humanos) e de procurarmos optimizá-los e gerí-los de forma mais prudente, eficiente e imaginativa? Incluindo o que se gasta em selos e telefonemas?

Não será também o momento de arranjar coragem para decisões difíceis? Quando há necessidade de fazer cortes, a opção mais óbvia parece ser cortar na programação, mantendo os custos fixos, custos esses sobretudo com o pessoal. Não estaremos, porém, a esquecer que a razão porque as nossas instituições existem em primeiro lugar é a programação? Não seria esta a última área onde se deveria cortar? Tanto no sector da cultura como noutros, tanto neste país como noutros, os analistas da crise apontam para a inflação no número de funcionários em muitas instituições públicas, que parece que afinal servem para empregar pessoas. Serão todas necessárias? Serão todas competentes? Terão todas formação adequada para as funções que desempenham? Os analistas dizem que não. A minha experiência também diz que não.

Olhemos, sim, para a crise como uma oportunidade. A oportunidade de desenvolvermos novos modelos de gestão, de nos adaptarmos às novas realidades, de sermos criativos e imaginativos na resolução dos problemas; a oportunidade de crescermos, saindo da alçada do Estado; a oportunidade de nos tornarmos mais exigentes, rigorosos e eficientes. Criemos, ao mesmo tempo, espaço para serem ouvidas outras vozes, de uma nova geração de profissionais da cultura, que poderão juntar o seu contributo àquele de figuras mais conhecidas, respeitadas e com um excelente conhecimento do sector (sugeria, por exemplo, a leitura do post
Crises que vêm por bem: Contribuições para um sector cultural diferente, publicado por Miguel Magalhães no blog Cost Disease Diaries no passado dia 8 de Dezembro). Procuremos ainda colocar os profissionais certos no lugar certo, integrando no sector aquelas pessoas cujos formação e know-how muito poderão contribuir para a transformação do mesmo. Enfim, juntemos os nossos esforços contra o conformismo e a passividade. Esta é uma oportunidade.