No dia 17 de Dezembro de 2017, o jornal Público
publicava uma entrevista da Vereadora da Cultura de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, onde se anunciava que “o [Teatro] Maria Matos (MM) terá um
modelo de programação bastante diferente, com carreiras mais longas e uma maior
preocupação de captação de público, para ser rentável”. A notícia foi, no mínimo,
surpreendente para mim. Diria mais, lembro-me que, ao ler, senti uma espécie de
dor física.
Saturday, 13 January 2018
Thursday, 30 November 2017
Wednesday, 15 November 2017
I am a native foreigner
Foi esta a minha apresentação ontem na conferência anual do ICOM Europa, que teve lugar em Bolonha. O tema da conferência era "The role of local and regional museums in the building of a People's Europe". Ler mais
Tuesday, 31 October 2017
A pessoa que precisamos de ouvir
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| Grada Kilomba, The Kosmos 2 (Detail) © Esra Rotthoff, courtesy of Maxim Gorki Theatre. (imagem retirada do website Contemporary And) |
Há umas semanas, apareceu no Público um artigo intitulado Grada Kilomba é a artista que Portugal precisa de ouvir. Até lá, nunca tinha ouvido falar de Grada Kilomba. Na semana que passou, foram inauguradas duas exposições da artista em Lisboa, aparentemente as primeiras na sua terra natal, apesar de Grada Kilomba já ter uma carreira intensa no estrangeiro. Um facto “perversamente coerente”, como dizia o Público, porque “entrar no trabalho de Grada Kilomba – nas suas instalações de vídeo e som, nas suas performances, nas suas leituras encenadas, nos seus textos – é ter de lidar com a história violenta do colonialismo e pós-colonialismo, história na qual Portugal está profundamente entranhado mas que teima em fingir que não é nada com ele.”
Sunday, 1 October 2017
Quatro Breves Histórias sobre Tecnologia e Inovação
A minha apresentação, em representação da Acesso Cultura, no seminário "Turismo e património cultural: tecnologia e inovação", organizado pelo Pporto dos Museus nos dias 28 e 29 de Setembro no Museu da Farmácia em Lisboa. A ler aqui.
Tuesday, 12 September 2017
Isto é também meu!
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| Eden Condoms, Esther Pi & Timo Waag, Espanha. Candidato ao prémios Rijksstudio 2017 (fonte: Rijksmuseum website) |
As pessoas devem poder usar imagens de coleções de museus em bolos de aniversário, ténis, preservativos ou papel higiénico? Quem protegerá a dignidade dos objetos desse 'assalto'? E a receita que os museus perdem ao não cobrar pelo uso das imagens?
O meu post no blog do CIDOC - International Committee for Documentation sobre as questões levantadas pelas políticas de acesso aberto. Ler aqui
Monday, 11 September 2017
Uma questão de relevância
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| A capa de Story, Agosto 2017. |
O meu artigo "A question of relevance" foi publicado em Agosto 2017 em Story, a revista do Queensland Performing Arts Centre, integrada na sua estratégia de educação e editada por Rebecca Lamoin. Nesta edição, procura-se olhar para o conceito de resistência no sector cultural a partir de múltiplos pontos de vista e a propósito da programação Jul - Dez do QPAC. Ler aqui
Wednesday, 21 June 2017
Uma tragédia nacional: o que é que "a Cultura" tem a ver com ela?
No Domingo de manhã as
notícias ultrapassavam o pior pesadelo. O grande incêndio na zona de Pedrógão Grande
tinha tirado a vida a 19 pessoas. Ao longo do dia, este número foi subindo. O
país estava em estado de choque.
O Teatro Maria Matos em
Lisboa foi dos primeiros a reagir. Não se limitou a anunciar o cancelamento do
espectáculo naquele dia, no seguimento da decretação de luto nacional, mas
informou os seus seguidores no Facebook sobre possíveis formas de ajudar e foi
actualizando esta informação. Manteve-se solidário e envolvido.
Saturday, 17 June 2017
O que está a acontecer ao Museu dos Transportes e Comunicações?
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| Museu dos Transportes e Comunicações, exposição "O Automóvel no Espaço e no Tempo", 2015 (Foto: Maria Vlachou) |
Esta semana, estive no Museu dos Transportes e Comunicações
no Porto para um workshop na pré-conferência do ECSITE (a rede europeia de
centros e museus de ciência). Gosto de regressar ao espaço da Alfândega, tenho
boas memórias, como visitante e como profissional. Há dois anos, tinha lá
estado numa conferência da Associação Internacional de Museus de Transportes e
Comunicações, que muito me marcou, e aproveitei para revisitar a exposição do automóvel
(“O Automóvel no Espaço e no Tempo”) e para conhecer a exposição “Comunicar”.
Thursday, 15 June 2017
Porquê nós?! Então, quem?
A minha apresentação ontem no workshop do ECSITE "Social inclusion and diversity – from goodwill to institutional change". Aqui
Sunday, 4 June 2017
Ressonâncias
É sempre um prazer e uma inspiração ler os posts de Nina
Simon. Mas os que eu sempre gostei mais foram aqueles em que Nina partilha as suas
aprendizagens pelo facto de ocupar um lugar de responsabilidade, como Year One as a Museum
Director… Survived! ou o mais recente Why We Moved the Abbott Square Opening - A Mistake, a Tough Call and a Pivot.
Estamos todos muito habituados a directores de museus - ou
outras pessoas que ocupam lugares com responsabilidade de liderança no nosso sector
- disponíveis para falar de finais felizes. Raramente do processo, nunca das
falhas. Mesmo quando se sentem forçados a comentar sobre acções e situações que
recebem críticas negativas, parece haver sempre uma forma de dar a volta, encontrar
justificações, focar detalhes irrelevantes, oferecer verdades alternativas.
Qualquer coisa que possa desviar a nossa atenção do que deve ser essencialmente
discutido. Qualquer coisa excepto um claro "É verdade, errámos, estamos
disponíveis para falar sobre isso."
Tuesday, 4 April 2017
Cobrar ou não cobrar: os dados
Tanto quanto sei, as decisões de cobrar ou não cobrar entrada nos museus nacionais nunca se baseiam em estudos. Aqueles que defendem a entrada livre fazem-no em nome da "democratização" e da "acessibilidade" e afirmam que a perda de receita não é significativa (nunca mencionando, no entanto, valores concretos). Aqueles que defendem a entrada paga geralmente falam da necessidade de gerar alguma receita.
Embora a pesquisa prévia e a avaliação sumativa não façam
parte da nossa prática em Portugal, tal não é o caso noutros países. E mesmo
que não tenhamos os nossos dados específicos sobre estas matérias, podemos
sempre aprender com a experiência e o conhecimento partilhado dos outros.
Thursday, 9 March 2017
Friday, 10 February 2017
E se fosse aqui?
Devo admitir que é com grande emoção e admiração que vejo as
organizações culturais americanas a tomar posição e a criticar as políticas de
seu Presidente. Alguns reagem de forma mais suave, outros assumem um tom bastante
mais afirmativo e franco (vejam aqui). É uma
grande lição para todos nós e, muito provavelmente, a prova de que as
organizações culturais são tudo menos neutras, são, na verdade, inevitavelmente
políticas.
Saturday, 4 February 2017
À procura de terreno arenoso
“Menores de 30 têm acesso
gratuito aos museus”, lê-se nos jornais portugueses. A medida foi ontem votada
no parlamento.
“Alguém me explica qual é a lógica dos 30 anos?”, questiona
uma colega brasileira.
“Será para estimular jovens famílias, tipo casais com filhos pequenos?”,
responde outra colega. “Será porque se constatou que o desemprego é maior até
aos 30 anos?”
Valerá a pena procurarmos a lógica? Terá havido lógica? Será que a medida
se baseou em qualquer relatório de gestão? Será que se baseou em algum estudo
de públicos? Os profissionais do sector foram consultados? Existem objectivos
concretos que daqui a um ou dois anos poderão ser avaliados?
Saturday, 31 December 2016
Leituras de final de ano
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| A contemplar o lago e as montanhas de Ioánnina, Grécia. |
Quatro dos textos que li nestas últimas semanas e que ficaram comigo:
Patti Smith, How does in feel
Achille Mbembe, The age of humanism is ending
Adam Curtis on Why self expression is tearing society apart
Sarah Swong and Jennifer Gersten, Notes towards a movement: classical music in Trump's America
A desejar um 2017 mais humanizado.
Thursday, 8 December 2016
Actores relutantes no centro do palco
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| The New Americans Museum. Painel vandalizado (imagem retirada da página de Facebook do museu) |
Não surpreendentemente, após as eleições, o Tenement Museum
em Nova Iorque, um museu que conta a história da migração urbana na América, viu
“um número sem precedentes" de comentários negativos sobre imigrantes vindos
de visitantes (ler aqui). Não se trata de um incidente isolado. Outros museus, como o Idaho Museum ofBlack History ou The New Americans Museum tiveram recentemente actos racistas de vandalismo
nas suas instalações.
Cuidado com os políticos que fazem emergir o pior em nós,
pode-se pensar. Mas pode-se também acrescentar, cuidado com os museus que não
conseguem ver a política no que fazem. Foi o que pensei ao ler o primeiro
parágrafo da resposta de Zach Aaron (membro do conselho de administração do
Tenement Museum) aos comentários negativos dos visitantes:
Sunday, 13 November 2016
Silêncios diplomáticos
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| A Primeira-Ministra da Escócia, Nicola Sturgeon. |
À medida que a Web Summit chegava ao fim em Lisboa, um dia depois da divulgação dos resultados das eleições norte-americanas, a Câmara Municipal de Lisboa colocou alguns outdoors onde se lia: "No mundo livre ainda pode encontrar uma cidade para viver, investir e construir o seu futuro, construindo pontes, não muros. Chama-se Lisboa". Os outdoors foram classificados como "anti-Trump" pela oposição, que disse que preferia pensar “que se trata de uma interpretação abusiva e que a intenção de Medina [presidente da Câmara] não foi a de desrespeitar a escolha democrática do povo americano, que não foi uma demonstração de arrogância ideológica, que não foi uma precipitação oportunista em resultado do deslumbramento pela atenção internacional". Resumindo, a oposição pediu explicações (leia o artigo).
Sunday, 30 October 2016
MAAT, gerador de expectativas
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| Imagem retirada do website do MAAT. |
Continuo
admirada com a forma como o recém-inaugurado edifício do MAAT – Museu de Arte,
Arquitectura e Tecnologia, da autoria de Amanda Levete, se integra na paisagem.
Quando me aproximo daquela zona ou quando atravesso a ponte, espero sempre ver
um edifício enorme que se sobreponha ou que esconda a Central Tejo. Mas
não...... A Central Tejo continua majestosa, sendo que o novo edifício surge ao
seu lado como uma nota suave e fluída.
O
meu primeiro contacto com o novo museu foi em Junho. Na verdade, tratou-se da
reabertura do “velho” museu (Museu da Electricidade na Central Tejo), depois
das obras de renovação, e foi lançada a marca MAAT. Acompanhei depois a
campanha para a inauguração do novo edifício e li algumas entrevistas do
director do museu, Pedro Gadanho, tendo, assim, formado uma primeira opinião /
expectativa. As várias críticas que surgiram com a inauguração do edifício e
algumas conversas com colegas trouxeram-me mais “food for thought”. A minha
primeira visita ao novo edifício também.
Saturday, 22 October 2016
Ilimitado (Unlimited)
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| "Uma menina perdida no seu século à procura do pai", Teatro Crinabel (Foto: Paulo Pimenta; imagem gentilmente cedida pelo Teatro Nacional D. Maria II) |
Há dois anos, questionava
aqui o propósito dos festivais que apresentam a arte de grupos específicos de
pessoas (gays, negros, pessoas com deficiência, etc). Era Setembro de 2014, e estava
a decorrer a segunda edição do festival Unlimited no Southbank em Londres. “Pergunto-me”, escrevia na altura, "quem é que assiste a
estes festivais, exposições, actividades e o que é que acontece depois? Será
que atraem apenas os já ‘convertidos’ ou um público mais amplo? Serão os
artistas gay ou negros ou com deficiência mais reconhecidos como artistas pelo
sector e pelo público? Estaremos a seguir em direcção a uma representação
inclusiva, onde serão vistos em primeiro ligar como artistas, ou os curadores e
o público vão, na mesma, para assistir a algo “especial”, circunscrito num
tempo e espaço específico, um tempo e um espaço ‘próprio’? Ajudam-nos estes
festivais a aprender a preocupar-nos mais e mais com a arte e menos e menos com
o ‘resto’?
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