Saturday, 6 June 2026

É o "playbook", estúpido!


“Era, na verdade, um político oportunista, America-first, anti-imigrante, anti-trabalhista e racista, com poucos escrúpulos, para quem o poder e a popularidade importavam mais do que a ideologia.”

“Percebeu como era fácil fazer manchetes atacando iniciativas progressistas como ‘anti-americanas’.”

“Percebeu que assustar as pessoas (os seus filhos estão a ser doutrinados e os homens negros querem dormir com as filhas) era muito mais eficaz do que o árduo trabalho de construção de consensos através da legislação.”

Embora a menção aos Estados Unidos permita aos leitores perceber de que país se trata, tenho a certeza de duas coisas:

  • Não adivinhariam o ano.
  • Hoje, todos nós, vindos de diferentes países, podemos ver aqui a descrição de vários políticos populistas e também de extrema-direita.

É por isso que se chama “The Playbook” (manual de instruções).

Monday, 13 April 2026

Heróis silenciosos

 


Para a Andreia Cunha
Para o Manuel Sarmento Pizarro

Em Fevereiro deste ano, o escritor e activista norte-americano John Pavlovitz escreveu uma carta aberta à então Procuradora-Geral: “Cara Pam Bondi (A carta de um pai)”. Durante quase um ano, pessoas de todo o mundo testemunharam a forma mesquinha, pouco inteligente, perversa, arrogante e, ao mesmo tempo, submissa como Bondi defendeu o seu mestre, o presidente dos EUA – e não O Povo. Pavlovitz resumiu os sentimentos que estes repetidos espetáculos provocaram em muitos de nós numa pergunta bastante simples: “Como é que alguém se torna Pam Bondi?”.

Saturday, 14 March 2026

Tornou-se "essencial" controlar a Cultura?

 

O meu artigo no Público sobre o facto dos políticos eleitos considerarem a Cultura "não essencial", ao mesmo tempo que manifestam um enorme desejo de a controlar. Leiam aqui

Sunday, 1 February 2026

Canários na mina de carvão e democracia em forma


Dedicado a bons amigos e colegas em
Leiria, Coimbra, Figueira da Foz

O colunista grego Thodoris Georgakopoulos questionou como é que nós, cidadãos, reconhecemos que foi ultrapassada uma linha, que chegámos a um ponto em que a democracia deixou de existir. Referia-se a um artigo publicado em Maio no jornal The New York Times, que eu também tinha lido, intitulado “How will we know when we have lost our democracy?” (Como saberemos quando perdermos a nossa democracia?). Com base nesse artigo, Georgakopoulos questiona: “Será que um país é considerado uma democracia quando as pessoas que o governam perseguem os seus adversários políticos e os colocam na prisão? Quando são indiferentes à solução dos problemas do país e, em vez disso, apenas se preocupam em manter e fortalecer o estado-cliente? Será que um país é democrático quando todos os meios de comunicação são propriedade de interesses financeiros que dependem financeiramente do governo? Ou quando toda a riqueza do Estado é distribuída aos leais ao regime?”.