Monday, 29 December 2025

Uma cultura de revolução e alguns valores "à moda antiga"


O olhar triste, auto-consciente e penetrante de Kristin Cabot numa fotografia no New York Times fez-me lembrar de duas coisas: o quão perturbada me senti no verão passado com a forma como "o mundo" (foi, efectivamente, o mundo inteiro) reagiu e a tratou quando, num concerto dos Coldplay, foi apanhada no ecrã gigante nos braços do seu chefe; e como nunca mais pensei neles (e nela) depois daqueles primeiros dias explosivos.

Thursday, 18 December 2025

Desejando a paz

Nemo, vencedor do Festival Eurovisão da Canção 2024 (Direito de autor: AP Photo)

Há uns dias, a propósito da reacção abominável de Donald Trump ao assassinato do cineasta Rob Reiner e da sua esposa, a jornalista Patrícia Fonseca comentava que, há poucos (não muitos) anos, uma reacção deste género teria dado início a um processo de impeachment. Desta vez, não foram poucas as pessoas que classificaram a atitude de Trump como indigna para o posto que ocupa. No entanto, a verdade é que foi criada uma espécie de anestesia ao que Trump diz ou faz, como se fosse algo natural ou inevitável, como se não fosse possível exigir decência. O mesmo se verifica com outros políticos e chamados “influencers”, normalizando, assim, discursos de ódio ou não contestando a desinformação. Com todos os estragos que isto traz, acredito que não é por falta de sensibilidade, mas por falta de sentido de agência, que a maioria das pessoas não reage. Não reagimos porque pensamos que não vale a pena, porque nada vai mudar.

É uma questão de escala. A consciência de que, não podendo mudar o mundo, temos ainda o poder - como indivíduos e, sobretudo, como colectivo - de sonhar, de trabalhar para o mundo ao qual desejamos pertencer e de fazer acontecer.

Wednesday, 17 December 2025

Esperança na escuridão. Dignidade no “estar junto”.

 

Foto: Jordi Boixareu/ZUMA Press Wire/REX/Shutterstock
(retirada do jornal The Guardian)

Acredito que 2025 foi um ano que não poderíamos ter imaginado. Os sinais eram maus, mas não podíamos prever quão má seria a realidade. Muitas vezes pensei que encontrar coragem para ler as notícias todos os dias se tornou num acto de resistência. Pensei repetidamente em algumas coisas depois de reuniões, conferências e conversas com amigos e colegas.