Aqui está a minha introdução ao painel “Peace, justice, strong institutions: How can and should museums play a role in an increasingly unbalanced, politically challenged age?” na conferência anual do NEMO em Tartu. Inclui referências a outras apresentações feitas durante a conferência. Ler aqui
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Sunday, 1 December 2019
Peace, Justice, Strong Institutions
Aqui está a minha introdução ao painel “Peace, justice, strong institutions: How can and should museums play a role in an increasingly unbalanced, politically challenged age?” na conferência anual do NEMO em Tartu. Inclui referências a outras apresentações feitas durante a conferência. Ler aqui
Wednesday, 28 August 2019
O desconforto da mudança: será a “fragilidade branca” a nossa principal preocupação?
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| Imagem reirada de Cyprus Mail. |
Num post no ano passado, Nathan “Mudyi” Sentence (Australian
Museum) escreveu sobre o seu envolvimento num programa do seu museu para
estudantes universitários que discutiu as Gerações Roubadas (a remoção, ao
longo do século 20, de crianças de descendência aborígine pelo governo
australiano e missões da igreja) e o trauma
intergeracional. “Após o programa, um dos alunos comentou anonimamente no
formulário de avaliação que sentiu que estava a ser repreendido e que se sentiu
mal por ser branco. Achei que essa era uma resposta estranha, quando o assunto
era uma realidade e um problema que afecta muitas pessoas das Primeiras Nações,
mas ele optou por se afastar porque isso o deixava desconfortável. Achei
preocupante, porque a fragilidade dos brancos acabará sempre por se meter no
caminho do envolvimento dos colonos em programas que desafiam as estruturas
coloniais que os beneficiam. Fiquei preocupado com o facto da fragilidade
branca ser mais preocupante para algumas pessoas do que a verdade.”
Wednesday, 7 August 2019
Por nós e pelos nossos amigos
A notícia da demissão de Warren Kanders do Conselho Directivo
do Whitney Museum deixou-me muito satisfeita. Depois de
meses de protestos, o proprietário da Safariland (uma empresa que fabrica
“produtos para a aplicação da lei" - noutras palavras, armas, incluindo o gás
lacrimogéneo usado contra os imigrantes na fronteira dos EUA) foi forçado a
sair, já que muitas pessoas sentiam que ganhar dinheiro com a produção de armas
e depois investi-lo filantropicamente na cultura e nas artes é, no mínimo, um
oxímoro.
Tuesday, 23 July 2019
Memória que resiste
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| Uma cena do documentário O Silêncio dos Outros |
Há algumas semanas, li num artigo que o impasse nas negociações do Brexit
é considerado humilhante para a Grã-Bretanha, tanto por quem votou a favor como
por quem votou contra. De acordo com uma pesquisa, 90% dos entrevistados
concordaram que a forma como o Reino Unido está a lidar com o Brexit é uma
humilhação nacional. O autor do artigo, o Professor de Psicologia Política
Barry Richards, referiu-se a uma investigação cada vez mais influente na teoria
da psicologia que enfatiza que “a necessidade de dignidade é básica para a nossa
constituição psicológica. Sentir que nos foi retirada é muito ameaçador e
desestabilizador”. Richards faz a distinção entre o sentimento de humilhação e o
sentimento de traição e o seu conselho é evitar endossar e ampliar o sentimento
de humilhação. Sugere também que a palavra "humilhação" e outras
(como "traidor" ou "traição") não sejam usadas no debate.
Saturday, 22 June 2019
Primeiros pensamentos sobre o Plano Nacional das Artes
Houve dois momentos para uma primeira apreciação do Plano
Nacional das Artes (PNA): a sua apresentação pública, no passado dia 18 de
Junho e a leitura do documento. Começarei por partilhar os meus pensamentos sobre
o primeiro.
Sessão esgotada nos estúdios Victor Córdon para ouvir a apresentação
do PNA. Muitos colegas, jornalistas, pessoas que representavam instituições privadas
que apoiam o sector cultural e as artes. Sentia-se a boa disposição e a
expectativa, misturada com alguma desconfiança (“Será desta?). Penso que aquele
momento de encontro e tudo o que se sentia no ar foi um bom sinal de que “o
sector” é constituído por profissionais que continuam interessados e prontos
para se envolver num esforço comum que possa valorizar, apoiar e fortalecer o seu
trabalho e contributo para a sociedade.
Saturday, 23 March 2019
O grande privilégio da vida pública
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| Imagem do cartaz da peça "O casaco", apresentada em 2018 pelo Grupo de Teatro da Nova. |
O recente episódio de blackface numa escola de Matosinhos e a forma como foi comentado são mais um indicador da falta preocupante de espaços de encontro (não virtuais) para o diálogo. Muitos não perceberam o porquê das críticas de racismo a propósito de uma iniciativa que pretendia celebrar a diversidade cultural (de “países” como África, China e Brasil) e acusaram os próprios críticos de racismo e promoção do ódio. A troca de comentários na página de Facebook Blackface Portugal é reveladora da incompreensão, e mesmo da ignorância, em torno desta matéria. Mas, podemos dizer que ficámos chocados ou surpreendidos? Não será essa uma realidade conhecida que, por muito que nos apeteça dizer “já deviam saber”, não lhe podemos virar as costas? Não podemos mesmo, porque continua a influenciar a educação, o pensamento e as noções que grande parte da nossa sociedade tem sobre esta matéria e várias outras. São estas noções que acabam por condicionar a liberdade de vários cidadãos e de perpetuar todos os tipos de racismo e, em certos casos, também a violência.
Sunday, 2 September 2018
Quem é bem-vindo à sua casa e à sua mesa?
À Lambrina e ao Sam, à Eleni e ao Nikos
Aos bons amigos e às boas discussões
Aos bons amigos e às boas discussões
Em Junho passado, Sarah Huckabee Sanders, a secretária de
imprensa da Casa Branca, foi convidada a sair do restaurante Red Hen. O pedido
foi da dona do restaurante.
Em meados de Agosto, a notícia que Marine Le Pen,
ex-candidata à presidência de França e líder do partido político Rassemblement Nacional,
tinha sido convidada para participar no Web Summit em Lisboa provocou vários protestos
públicos. O convite acabou por ser retirado.
Ambos os incidentes levantaram questões relativas à
liberdade de expressão; se é possível combater visões políticas extremistas e
abordar as raízes da subida da extrema-direita proibindo ou ignorando certos
pontos de vista; e se, ao excluirmos algumas pessoas, não nos tornamos como elas.
Monday, 11 June 2018
Discutindo a descolonização dos museus em Portugal
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| Foto: Maria Vlachou |
Adoro museus. Adoro-os pelo que são; adoro-os pelo que não são, mas podem ser; adoro-os pelo seu potencial. Adoro-os especialmente devido ao trabalho desenvolvido por vários colegas em todo o mundo para que os museus se adaptem a novas realidades, permaneçam ou se tornem relevantes para as pessoas e até se reinventem. Ultimamente, adoro-os particularmente pelas controvérsias que causam ou enfrentam, empurrando o nosso pensamento e prática para a frente.
Sunday, 20 May 2018
Apropriação cultural: menos guardiões, mais pensadores críticos
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| "La Japonaise" de Claude Monet, Museum of Fine Arts Boston. (Imagem retirada de http://japaneseamericaninboston.blogspot.com) |
Para a Nandia
O meu primeiro contacto com o conceito de apropriação cultural aconteceu em Julho de 2015 devido às “Kimono Wednesdays” no Museum of Fine Arts Boston (MFA). Por ocasião da exibição de “La Japonaise” de Claude Monet (uma pintura da esposa do artista, rodeada de leques, usando uma peruca loira e um quimono vermelho), os visitantes eram convidados a vestir um quimono semelhante ao mostrado no quadro e a partilhar as suas fotos nas redes sociais. Segundo o museu, essa era uma maneira para os visitantes se envolverem com a pintura. Para algumas pessoas, no entanto, a actividade carecia de qualquer contexto em relação ao quimono, tornando-se apenas “divertida”; outros criticaram a iniciativa por estar a reforçar estereótipos e exotizar os asiáticos-americanos; para outros, era racismo flagrante (leiam o artigo de Seph Rodney).
Wednesday, 25 April 2018
O Museu das (minhas) Descobertas
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| Exposição "Retornar - Traços de Memória", Padrão dos Descobrimentos, 2015 (Foto: Maria Vlahou) |
Sou portuguesa por adopção. Quando cheguei a Portugal, em 1995, a única coisa que sabia sobre a história do país tinha a ver com os Descobrimentos (dos caminhos marítimos e das especiarias, ensinada no meu país no 7º ou 8º ano). O resto fui/vou “descobrindo” ao longo dos anos (mesmo no que diz respeito aos Descobrimentos e para além dos caminhos marítimos e das especiarias). A história que me ensinaram na escola era, como é habitual, apenas uma parte.
Thursday, 15 February 2018
Libertemos o Mark Deputter
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| Imagem retirada do jornal Público. Foto: Nuno Ferreira Santos |
Foi um bom exercício para todos nós a conversa com a
Vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto (CVP), ontem no Teatro Maria Matos (MM).
Como tem sido um bom exercício toda a conversa gerada após o anúncio da sua
decisão de arrendar o MM e de o tornar num espaço para o grande público, que
possa ser rentável.
Sunday, 28 January 2018
TS Elliot, um terrível artista hip-hop
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| Uma imagem do projecto Contratempo no programa do Isto é PARTIS. |
O jornal inglês The Guardian deu recentemente a notícia de uma crítica da poetisa Rebecca Watts, intitulada “O culto do nobre amador”, ao trabalho de um grupo de jovens poetisas que Watts considera que constitui "O óbvio denegrir do envolvimento intelectual e a rejeição do ofício”. A crítica gerou uma discussão muito interessante, e bem-vinda, em relação ao valor da poesia erudita e da poesia popular, sendo que a resposta de Don Paterson (poeta escocês, vencedor do prémio TS Elliot e editor de duas das jovens poetisas) foi cativante: "Não precisa de gostar do que as pessoas fazem, mas penso que deve avaliá-lo em função das suas próprias ambições. Caso contrário, é como dizer que TS Elliot foi um terrível artista de hip-hop. É verdade, e então?”.
Saturday, 13 January 2018
O que o Maria Matos significa para mim (ou: porque é que assinei o abaixo assinado)
No dia 17 de Dezembro de 2017, o jornal Público
publicava uma entrevista da Vereadora da Cultura de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, onde se anunciava que “o [Teatro] Maria Matos (MM) terá um
modelo de programação bastante diferente, com carreiras mais longas e uma maior
preocupação de captação de público, para ser rentável”. A notícia foi, no mínimo,
surpreendente para mim. Diria mais, lembro-me que, ao ler, senti uma espécie de
dor física.
Wednesday, 15 November 2017
I am a native foreigner
Foi esta a minha apresentação ontem na conferência anual do ICOM Europa, que teve lugar em Bolonha. O tema da conferência era "The role of local and regional museums in the building of a People's Europe". Ler mais
Tuesday, 31 October 2017
A pessoa que precisamos de ouvir
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| Grada Kilomba, The Kosmos 2 (Detail) © Esra Rotthoff, courtesy of Maxim Gorki Theatre. (imagem retirada do website Contemporary And) |
Há umas semanas, apareceu no Público um artigo intitulado Grada Kilomba é a artista que Portugal precisa de ouvir. Até lá, nunca tinha ouvido falar de Grada Kilomba. Na semana que passou, foram inauguradas duas exposições da artista em Lisboa, aparentemente as primeiras na sua terra natal, apesar de Grada Kilomba já ter uma carreira intensa no estrangeiro. Um facto “perversamente coerente”, como dizia o Público, porque “entrar no trabalho de Grada Kilomba – nas suas instalações de vídeo e som, nas suas performances, nas suas leituras encenadas, nos seus textos – é ter de lidar com a história violenta do colonialismo e pós-colonialismo, história na qual Portugal está profundamente entranhado mas que teima em fingir que não é nada com ele.”
Friday, 10 February 2017
E se fosse aqui?
Devo admitir que é com grande emoção e admiração que vejo as
organizações culturais americanas a tomar posição e a criticar as políticas de
seu Presidente. Alguns reagem de forma mais suave, outros assumem um tom bastante
mais afirmativo e franco (vejam aqui). É uma
grande lição para todos nós e, muito provavelmente, a prova de que as
organizações culturais são tudo menos neutras, são, na verdade, inevitavelmente
políticas.
Thursday, 8 December 2016
Actores relutantes no centro do palco
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| The New Americans Museum. Painel vandalizado (imagem retirada da página de Facebook do museu) |
Não surpreendentemente, após as eleições, o Tenement Museum
em Nova Iorque, um museu que conta a história da migração urbana na América, viu
“um número sem precedentes" de comentários negativos sobre imigrantes vindos
de visitantes (ler aqui). Não se trata de um incidente isolado. Outros museus, como o Idaho Museum ofBlack History ou The New Americans Museum tiveram recentemente actos racistas de vandalismo
nas suas instalações.
Cuidado com os políticos que fazem emergir o pior em nós,
pode-se pensar. Mas pode-se também acrescentar, cuidado com os museus que não
conseguem ver a política no que fazem. Foi o que pensei ao ler o primeiro
parágrafo da resposta de Zach Aaron (membro do conselho de administração do
Tenement Museum) aos comentários negativos dos visitantes:
Sunday, 13 November 2016
Silêncios diplomáticos
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| A Primeira-Ministra da Escócia, Nicola Sturgeon. |
À medida que a Web Summit chegava ao fim em Lisboa, um dia depois da divulgação dos resultados das eleições norte-americanas, a Câmara Municipal de Lisboa colocou alguns outdoors onde se lia: "No mundo livre ainda pode encontrar uma cidade para viver, investir e construir o seu futuro, construindo pontes, não muros. Chama-se Lisboa". Os outdoors foram classificados como "anti-Trump" pela oposição, que disse que preferia pensar “que se trata de uma interpretação abusiva e que a intenção de Medina [presidente da Câmara] não foi a de desrespeitar a escolha democrática do povo americano, que não foi uma demonstração de arrogância ideológica, que não foi uma precipitação oportunista em resultado do deslumbramento pela atenção internacional". Resumindo, a oposição pediu explicações (leia o artigo).
Monday, 3 October 2016
Justin Bieber e o combate ao extremismo islâmico
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Um recente artigo do NPR, intitulado Italy's 'Cultural Allowance' For Teens Aims To Educate, Counter Extremism (O subsídio
de cultura para os adolescentes na Itália pretende educar, combater o
extremismo) demonstra a
confusão que existe, a vários níveis e meios, em relação ao acesso à cultura e
à cultura como panaceia para vários males deste mundo.
O título não é um exagero do jornal. Foi o próprio
Primeiro-Ministro italiano que, ao anunciar este subsídio de cultura (€500 para
cada jovem com 18 anos gastar em produtos culturais), pouco depois dos ataques
terroristas em Paris, em Novembro 2015, afirmou: “Destroem estátuas, nós
protegemo-las. Queimam livros, somos o país das
bibliotecas. Concebem o terror, respondemos com cultura."
Tuesday, 23 August 2016
Escolhas
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| Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, 2016 (imagem retirada do You Tube) |
Tendo seguido a discussão acalorada sobre o uso de fatos de
corpo inteiro por atletas muçulmanas nos Jogos Olímpicos, bem como sobre a
proibição do burkini em algumas praias francesas, penso que alguns factos são -
deliberadamente ou não - deixados de fora da equação.
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