O intenso debate público em torno da criação de um “museu
das descobertas” abrandou nos últimos meses. No entanto, marcou de forma
significativa e, parece-me, irreversível a discussão em relação ao papel dos
museus na sociedade portuguesa, às formas como se pode e deve olhar para o
passado, às razões porque esse passado é preservado e estudado.
Sunday, 8 December 2019
Sunday, 1 December 2019
Peace, Justice, Strong Institutions
Aqui está a minha introdução ao painel “Peace, justice, strong institutions: How can and should museums play a role in an increasingly unbalanced, politically challenged age?” na conferência anual do NEMO em Tartu. Inclui referências a outras apresentações feitas durante a conferência. Ler aqui
Friday, 27 September 2019
Saturday, 14 September 2019
Cidade - corpo colectivo
O meu comentário ontem, a propósito da apresentação do documentário Cidade - Corpo Colectivo no MEXE - Encontro Internacional Arte e Comunidade. Ler aqui
Wednesday, 28 August 2019
O desconforto da mudança: será a “fragilidade branca” a nossa principal preocupação?
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| Imagem reirada de Cyprus Mail. |
Num post no ano passado, Nathan “Mudyi” Sentence (Australian
Museum) escreveu sobre o seu envolvimento num programa do seu museu para
estudantes universitários que discutiu as Gerações Roubadas (a remoção, ao
longo do século 20, de crianças de descendência aborígine pelo governo
australiano e missões da igreja) e o trauma
intergeracional. “Após o programa, um dos alunos comentou anonimamente no
formulário de avaliação que sentiu que estava a ser repreendido e que se sentiu
mal por ser branco. Achei que essa era uma resposta estranha, quando o assunto
era uma realidade e um problema que afecta muitas pessoas das Primeiras Nações,
mas ele optou por se afastar porque isso o deixava desconfortável. Achei
preocupante, porque a fragilidade dos brancos acabará sempre por se meter no
caminho do envolvimento dos colonos em programas que desafiam as estruturas
coloniais que os beneficiam. Fiquei preocupado com o facto da fragilidade
branca ser mais preocupante para algumas pessoas do que a verdade.”
Tuesday, 13 August 2019
Uma nova definição de museu
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| MASP, São Paulo, Brasil. (Foto: Maria Vlachou) |
“O museu é uma instituição permanente sem fins lucrativos,
ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, que
adquire, conserva, investiga, comunica e expõe o património material e
imaterial da humanidade e do seu meio envolvente com fins de educação, estudo e
deleite.”
A actual definição de museu do Conselho Internacional de
Museus (ICOM) serve perfeitamente aqueles profissionais de museus que sabem dar
sentido a expressões como “ao serviço da sociedade” e “com fins de educação,
estudo e deleite”. Serve perfeitamente aqueles profissionais de museus que não
só sabem dar sentido a essas palavras, mas que sabem também como compartilhar
esse significado com outros cidadãos, não especialistas, através do seu pensamento
e prática.
Wednesday, 7 August 2019
Por nós e pelos nossos amigos
A notícia da demissão de Warren Kanders do Conselho Directivo
do Whitney Museum deixou-me muito satisfeita. Depois de
meses de protestos, o proprietário da Safariland (uma empresa que fabrica
“produtos para a aplicação da lei" - noutras palavras, armas, incluindo o gás
lacrimogéneo usado contra os imigrantes na fronteira dos EUA) foi forçado a
sair, já que muitas pessoas sentiam que ganhar dinheiro com a produção de armas
e depois investi-lo filantropicamente na cultura e nas artes é, no mínimo, um
oxímoro.
Tuesday, 23 July 2019
Memória que resiste
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| Uma cena do documentário O Silêncio dos Outros |
Há algumas semanas, li num artigo que o impasse nas negociações do Brexit
é considerado humilhante para a Grã-Bretanha, tanto por quem votou a favor como
por quem votou contra. De acordo com uma pesquisa, 90% dos entrevistados
concordaram que a forma como o Reino Unido está a lidar com o Brexit é uma
humilhação nacional. O autor do artigo, o Professor de Psicologia Política
Barry Richards, referiu-se a uma investigação cada vez mais influente na teoria
da psicologia que enfatiza que “a necessidade de dignidade é básica para a nossa
constituição psicológica. Sentir que nos foi retirada é muito ameaçador e
desestabilizador”. Richards faz a distinção entre o sentimento de humilhação e o
sentimento de traição e o seu conselho é evitar endossar e ampliar o sentimento
de humilhação. Sugere também que a palavra "humilhação" e outras
(como "traidor" ou "traição") não sejam usadas no debate.
Saturday, 22 June 2019
Primeiros pensamentos sobre o Plano Nacional das Artes
Houve dois momentos para uma primeira apreciação do Plano
Nacional das Artes (PNA): a sua apresentação pública, no passado dia 18 de
Junho e a leitura do documento. Começarei por partilhar os meus pensamentos sobre
o primeiro.
Sessão esgotada nos estúdios Victor Córdon para ouvir a apresentação
do PNA. Muitos colegas, jornalistas, pessoas que representavam instituições privadas
que apoiam o sector cultural e as artes. Sentia-se a boa disposição e a
expectativa, misturada com alguma desconfiança (“Será desta?). Penso que aquele
momento de encontro e tudo o que se sentia no ar foi um bom sinal de que “o
sector” é constituído por profissionais que continuam interessados e prontos
para se envolver num esforço comum que possa valorizar, apoiar e fortalecer o seu
trabalho e contributo para a sociedade.
Friday, 31 May 2019
Thursday, 16 May 2019
Tuesday, 30 April 2019
Sunday, 28 April 2019
Limões azedos, limonadas doces
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| National Portrait Gallery, Washington DC (Foto: Ben Hines) |
Num curso de formação para profissionais da cultura no mês
passado, mostrei a foto de uma menina negra de dois anos admirando o retrato de
Michelle Obama na National Portrait Gallery em Washington. Ela parecia fascinada
e parece que disse à sua mãe que a mulher no quadro era uma rainha e que ela queria
também ser rainha. O meu argumento era que os negros, ou outras chamadas
minorias, raramente vêem pessoas parecidas com elas como parte das narrativas mainstream apresentadas em museus;
raramente se deparam com as histórias de pessoas que se parecem com eles e que
conseguiram algo nas suas vidas; pessoas que poderiam admirar.
Saturday, 23 March 2019
O grande privilégio da vida pública
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| Imagem do cartaz da peça "O casaco", apresentada em 2018 pelo Grupo de Teatro da Nova. |
O recente episódio de blackface numa escola de Matosinhos e a forma como foi comentado são mais um indicador da falta preocupante de espaços de encontro (não virtuais) para o diálogo. Muitos não perceberam o porquê das críticas de racismo a propósito de uma iniciativa que pretendia celebrar a diversidade cultural (de “países” como África, China e Brasil) e acusaram os próprios críticos de racismo e promoção do ódio. A troca de comentários na página de Facebook Blackface Portugal é reveladora da incompreensão, e mesmo da ignorância, em torno desta matéria. Mas, podemos dizer que ficámos chocados ou surpreendidos? Não será essa uma realidade conhecida que, por muito que nos apeteça dizer “já deviam saber”, não lhe podemos virar as costas? Não podemos mesmo, porque continua a influenciar a educação, o pensamento e as noções que grande parte da nossa sociedade tem sobre esta matéria e várias outras. São estas noções que acabam por condicionar a liberdade de vários cidadãos e de perpetuar todos os tipos de racismo e, em certos casos, também a violência.
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