Saturday, 22 June 2019

Primeiros pensamentos sobre o Plano Nacional das Artes



Houve dois momentos para uma primeira apreciação do Plano Nacional das Artes (PNA): a sua apresentação pública, no passado dia 18 de Junho e a leitura do documento. Começarei por partilhar os meus pensamentos sobre o primeiro.

Sessão esgotada nos estúdios Victor Córdon para ouvir a apresentação do PNA. Muitos colegas, jornalistas, pessoas que representavam instituições privadas que apoiam o sector cultural e as artes. Sentia-se a boa disposição e a expectativa, misturada com alguma desconfiança (“Será desta?). Penso que aquele momento de encontro e tudo o que se sentia no ar foi um bom sinal de que “o sector” é constituído por profissionais que continuam interessados e prontos para se envolver num esforço comum que possa valorizar, apoiar e fortalecer o seu trabalho e contributo para a sociedade.

Sunday, 28 April 2019

Limões azedos, limonadas doces

National Portrait Gallery, Washington DC (Foto: Ben Hines)


Num curso de formação para profissionais da cultura no mês passado, mostrei a foto de uma menina negra de dois anos admirando o retrato de Michelle Obama na National Portrait Gallery em Washington. Ela parecia fascinada e parece que disse à sua mãe que a mulher no quadro era uma rainha e que ela queria também ser rainha. O meu argumento era que os negros, ou outras chamadas minorias, raramente vêem pessoas parecidas com elas como parte das narrativas mainstream apresentadas em museus; raramente se deparam com as histórias de pessoas que se parecem com eles e que conseguiram algo nas suas vidas; pessoas que poderiam admirar.

Saturday, 23 March 2019

O grande privilégio da vida pública

Imagem do cartaz da peça "O casaco", apresentada em 2018 pelo Grupo de Teatro da Nova.

O recente episódio de blackface numa escola de Matosinhos e a forma como foi comentado são mais um indicador da falta preocupante de espaços de encontro (não virtuais) para o diálogo. Muitos não perceberam o porquê das críticas de racismo a propósito de uma iniciativa que pretendia celebrar a diversidade cultural (de “países” como África, China e Brasil) e acusaram os próprios críticos de racismo e promoção do ódio. A troca de comentários na página de Facebook Blackface Portugal é reveladora da incompreensão, e mesmo da ignorância, em torno desta matéria. Mas, podemos dizer que ficámos chocados ou surpreendidos? Não será essa uma realidade conhecida que, por muito que nos apeteça dizer “já deviam saber”, não lhe podemos virar as costas? Não podemos mesmo, porque continua a influenciar a educação, o pensamento e as noções que grande parte da nossa sociedade tem sobre esta matéria e várias outras. São estas noções que acabam por condicionar a liberdade de vários cidadãos e de perpetuar todos os tipos de racismo e, em certos casos, também a violência.

Tuesday, 11 December 2018