Monday, 13 April 2026

Heróis silenciosos

 


Para a Andreia Cunha
Para o Manuel Sarmento Pizarro

Em Fevereiro deste ano, o escritor e activista norte-americano John Pavlovitz escreveu uma carta aberta à então Procuradora-Geral: “Cara Pam Bondi (A carta de um pai)”. Durante quase um ano, pessoas de todo o mundo testemunharam a forma mesquinha, pouco inteligente, perversa, arrogante e, ao mesmo tempo, submissa como Bondi defendeu o seu mestre, o presidente dos EUA – e não O Povo. Pavlovitz resumiu os sentimentos que estes repetidos espetáculos provocaram em muitos de nós numa pergunta bastante simples: “Como é que alguém se torna Pam Bondi?”.

Saturday, 14 March 2026

Tornou-se "essencial" controlar a Cultura?

 

O meu artigo no Público sobre o facto dos políticos eleitos considerarem a Cultura "não essencial", ao mesmo tempo que manifestam um enorme desejo de a controlar. Leiam aqui

Sunday, 1 February 2026

Canários na mina de carvão e democracia em forma


Dedicado a bons amigos e colegas em
Leiria, Coimbra, Figueira da Foz

O colunista grego Thodoris Georgakopoulos questionou como é que nós, cidadãos, reconhecemos que foi ultrapassada uma linha, que chegámos a um ponto em que a democracia deixou de existir. Referia-se a um artigo publicado em Maio no jornal The New York Times, que eu também tinha lido, intitulado “How will we know when we have lost our democracy?” (Como saberemos quando perdermos a nossa democracia?). Com base nesse artigo, Georgakopoulos questiona: “Será que um país é considerado uma democracia quando as pessoas que o governam perseguem os seus adversários políticos e os colocam na prisão? Quando são indiferentes à solução dos problemas do país e, em vez disso, apenas se preocupam em manter e fortalecer o estado-cliente? Será que um país é democrático quando todos os meios de comunicação são propriedade de interesses financeiros que dependem financeiramente do governo? Ou quando toda a riqueza do Estado é distribuída aos leais ao regime?”.

Monday, 29 December 2025

Uma cultura de revolução e alguns valores "à moda antiga"


O olhar triste, auto-consciente e penetrante de Kristin Cabot numa fotografia no New York Times fez-me lembrar de duas coisas: o quão perturbada me senti no verão passado com a forma como "o mundo" (foi, efectivamente, o mundo inteiro) reagiu e a tratou quando, num concerto dos Coldplay, foi apanhada no ecrã gigante nos braços do seu chefe; e como nunca mais pensei neles (e nela) depois daqueles primeiros dias explosivos.

Thursday, 18 December 2025

Desejando a paz

Nemo, vencedor do Festival Eurovisão da Canção 2024 (Direito de autor: AP Photo)

Há uns dias, a propósito da reacção abominável de Donald Trump ao assassinato do cineasta Rob Reiner e da sua esposa, a jornalista Patrícia Fonseca comentava que, há poucos (não muitos) anos, uma reacção deste género teria dado início a um processo de impeachment. Desta vez, não foram poucas as pessoas que classificaram a atitude de Trump como indigna para o posto que ocupa. No entanto, a verdade é que foi criada uma espécie de anestesia ao que Trump diz ou faz, como se fosse algo natural ou inevitável, como se não fosse possível exigir decência. O mesmo se verifica com outros políticos e chamados “influencers”, normalizando, assim, discursos de ódio ou não contestando a desinformação. Com todos os estragos que isto traz, acredito que não é por falta de sensibilidade, mas por falta de sentido de agência, que a maioria das pessoas não reage. Não reagimos porque pensamos que não vale a pena, porque nada vai mudar.

É uma questão de escala. A consciência de que, não podendo mudar o mundo, temos ainda o poder - como indivíduos e, sobretudo, como colectivo - de sonhar, de trabalhar para o mundo ao qual desejamos pertencer e de fazer acontecer.

Wednesday, 17 December 2025

Esperança na escuridão. Dignidade no “estar junto”.

 

Foto: Jordi Boixareu/ZUMA Press Wire/REX/Shutterstock
(retirada do jornal The Guardian)

Acredito que 2025 foi um ano que não poderíamos ter imaginado. Os sinais eram maus, mas não podíamos prever quão má seria a realidade. Muitas vezes pensei que encontrar coragem para ler as notícias todos os dias se tornou num acto de resistência. Pensei repetidamente em algumas coisas depois de reuniões, conferências e conversas com amigos e colegas.

Saturday, 11 October 2025

Cuidar do futuro

A minha intervenção ontem no Fórum Esfera(s), organizado pela Universidade de Coimbra. Ler aqui