 |
| Nemo, vencedor do Festival Eurovisão da Canção 2024 (Direito de autor: AP Photo) |
Há uns dias, a propósito da reacção abominável de Donald Trump
ao assassinato do cineasta Rob Reiner e da sua esposa, a jornalista Patrícia
Fonseca comentava que, há poucos (não muitos) anos, uma reacção deste género
teria dado início a um processo de impeachment. Desta vez, não foram poucas as
pessoas que classificaram a atitude de Trump como indigna para o posto que
ocupa. No entanto, a verdade é que foi criada uma espécie de anestesia ao que
Trump diz ou faz, como se fosse algo natural ou inevitável, como se não fosse
possível exigir decência. O mesmo se verifica com outros políticos e chamados “influencers”,
normalizando, assim, discursos de ódio ou não contestando a desinformação. Com
todos os estragos que isto traz, acredito que não é por falta de sensibilidade,
mas por falta de sentido de agência, que a maioria das pessoas não reage. Não
reagimos porque pensamos que não vale a pena, porque nada vai mudar.
É uma questão de escala. A consciência de que, não podendo
mudar o mundo, temos ainda o poder - como indivíduos e, sobretudo, como
colectivo - de sonhar, de trabalhar para o mundo ao qual desejamos pertencer e
de fazer acontecer.