Sunday, 28 February 2021

Chama-se "liderança"


Desde que vi este post do director do Museu da República, Mário de Souza Chagas, não consigo parar de pensar nele. Partilhei-o no Facebook simplesmente dizendo “Chama-se ‘liderança’”. O tipo de liderança que ansiamos em ver noutros directores de museus em todo o mundo.

Sunday, 17 January 2021

A 'cidade' vai à 'periferia', mas a 'periferia' vai à 'cidade'?

 


Screenshot do documentário da Netflix "Emicida: AmarElo - É tudo pra ontem"

Em 2016, Faustin Lyniekula, coreógrafo congolês, foi o convidado do festival bienal de Lisboa Artista na Cidade. A sua performance “Le Cargo” foi o motivo pelo qual fui ao bairro da Cova da Moura pela primeira (e, até agora, única) vez. Muitos colegas e amigos estavam lá, pessoas que normalmente encontro em diferentes espaços culturais da cidade. E, claro, os residentes locais também lá estavam. Lembro-me daquele momento como uma experiência desconfortável. Lembro-me de me ter sentido uma intrusa, de pensar que não deveria estar lá, não naquele contexto.

Wednesday, 28 October 2020

Saturday, 19 September 2020

Os sonhos de diversidade das nossas equipas homogéneas

Jemma Desai, autora de "This work isn't for us"

Em 2020, o tema do Dia Internacional dos Museus (DIM) foi “Museus pela Igualdade: Diversidade e Inclusão”. No campo da Cultura, normalmente reflectimos sobre estes conceitos considerando os chamados “públicos”. Expressamos o nosso desejo de atrair mais pessoas, pessoas diversas, e de nos tornarmos num lugar “para todos”.

O tema do DIM deste ano permitiu-me dar um passo à frente (ou terá sido atrás?) e considerar: podemos esperar ser mais relevantes e criar relações com pessoas diversas (o "público") se nós (as equipas) permanecemos teimosamente homogéneos? Tive a oportunidade de colocar esta pergunta pela primeira vez num pequeno vídeo para o Museu Municipal Carlos Reis no DIM e, mais recentemente, numa mini-conferência para o Museu da Cidade de Aveiro, intitulado “Museus, Educação e Diversidade”. Este foi também um dos pontos levantados pela associação Acesso Cultura, à qual pertenço, ao comentar o relatório preliminar do Grupo de Projecto Museus no Futuro.

Friday, 11 September 2020

Os nossos valores "chá e simpatia"


Em Novembro de 2016, uma foto da sorridente directora do Museu Bizantino e Cristão
 em Atenas, Aikaterini Dellaporta, ao lado do Ministro de Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, provocou em mim um profundo desconforto. Tratava-se da inauguração da exposição “Hermitage: Gate in History”. Expressei o meu desconforto partilhando as causas do mesmo na página de Facebook do museu:

O governo de Lavrov está a realizar ataques aéreos contra civis na Síria (incluindo as crianças que vemos na televisão e que partem os nossos corações), apoiando um ditador. Eles também invadiram um país vizinho e ocupam uma parte dele. Porque é que o governo grego e o Museu Bizantino deram uma oportunidade ao Ministro de Negócios Estrangeiros russo e ao seu governo de parecerem... civilizados?

Friday, 4 September 2020

Estamos com as abelhas ou com os lobos?


Tania Bruguera, Tenda da Escuela de Arte Útil, 2017 em curso.
Imagem da instalação, Yerba Buena Center for the Arts, Março de 2020.
Foto: Yerba Buena Center for the Arts.

O julgamento da Aurora Dourada começou em Abril de 2015. O partido de extrema direita, que na altura ocupava 17 assentos no parlamento grego, foi acusado de ser uma associação criminosa, tendo cometido o assassinato do músico Pavlos Fyssas e as tentativas de assassínio do pescador egípcio Abuzeid Ebarak e de vários membros comunistas do sindicato PAME. Em Janeiro de 2020, o advogado de Ebarak, Thanassis Kabagiannis, fez a sua alegação final dizendo: “Porque naquela noite selvagem, não foi só o mundo dos lobos que agiu, porque aqueles que atacaram Pavlos Fyssas eram uma manada de lobos. O mundo das abelhas também agiu, emergiu, o mundo da solidariedade, da humanidade, o mundo que vê um homem caído, coberto de sangue, em necessidade, e não diz 'olha, um estranho', mas diz 'olha, o meu irmão.'"