A minha palestra na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, no dia 13 de Abril de 2023, no âmbito do ciclo "Portugal - 50 anos (1973-2023): O que mudou? O que falta fazer?". Pode ser lida aqui.
A minha palestra na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, no dia 13 de Abril de 2023, no âmbito do ciclo "Portugal - 50 anos (1973-2023): O que mudou? O que falta fazer?". Pode ser lida aqui.

Perdiz no Cabo Sounio, 2014 (Foto: Maria Vlachou)
Há pouco mais de dez anos, lembro-me da
indignação que senti com um artigo de Clara Ferreira Alves no jornal Expresso,
onde criticava os jovens gregos por se casarem quando o país atravessava uma
grave crise económica. Considerava essa atitude irresponsável, reveladora de
uma falta de noção. Fiquei com raiva porque, no meu ver, a esperança e a
celebração são formas de resistir. A determinação de celebrar perante uma
adversidade é um acto de amor, amor pela vida, amor próprio e amor pelos
outros.
Pensei nisso em diversas outras ocasiões e também ontem à noite, quando vi o fogo de artifício da minha janela e em muitos outros lugares do mundo. Nunca gostei muito do fogo de artifício, sempre me pareceu uma extravagância desnecessária e, também, provocadora de um barulho angustiante para várias pessoas e animais. Mais recentemente, descobri os seus efeitos poluentes. Mas este ano, senti que o seu som “explosivo” era também uma expressão da nossa falta de empatia, pois os ucranianos, enquanto celebravam também a chegada do novo ano (um acto de amor, esperança e desafio), foram mais uma vez atacados e tiveram que correr para os abrigos.
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| Foto: Justo Stop Oil via The New York Times |
“Museus apertam vigilância preocupados com ações de ‘terrorismo’ ambientalista contra arte”. Não sei se foi a palavra “terrorismo” no título que me chocou mais ou as próprias respostas dadas ao jornalista por diferentes directores de museus portugueses. Respostas que revelam total distanciamento da questão da emergência climática e do papel e impacto que os museus têm sobre ela. Fiquei estupefacta quando o director de um museu nacional afirmou que tinha “alguma dificuldade em perceber o que os museus e as obras de arte têm a ver com este tipo de protesto ambientalista” e que “Está relacionado com a questão do petróleo e da poluição, mas as obras de arte não têm culpa nenhuma. São ações mediáticas, mas é difícil de perceber porque têm as obras de arte de pagar por isto.” Um outro director de um museu nacional disse que considera estas ações preocupantes porque os museus “guardam, restauram e exibem coleções únicas no mundo, [que] estes casos são ‘preocupantes’ para estes espaços culturais, porque "colocam em risco um património que é de todos" e que "deve ser protegido para as atuais e futuras gerações" (essas palavras não serviriam perfeitamente para discutir o nosso património natural e a nossa obrigação para com as gerações futuras?).
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| 29 de agosto de 2022; Columbus, OH, EUA; Funcionários e apoiantes do Columbus Museum of Art reúnem-se à frente do museu, antes de entregarem uma carta à administração, solicitando o reconhecimento voluntário do sindicato CMA Workers United. Créditos: Adam Cairns-The Columbus Dispatch |
“Nos últimos meses, a equipa de liderança do YBCA [Yerba Buena Center for the Arts] tem lidado com os impactos e a volatilidade sem precedentes causados pela pandemia do COVID-19.
(…) Hoje, devido a estes impactos, é com pesar que anuncio a eliminação de 27 postos de trabalho no YBCA. Isto representa mais de um terço da nossa equipa, principalmente em postos directamente ligados a eventos e actividades ao vivo, que não se realizarão no futuro próximo. Como uma organização que se preocupa profundamente com os seus funcionários, evitámos fazer estas mudanças enquanto as nossas finanças o permitiram. Também considerámos cuidadosamente a equidade em todas as nossas decisões.
Nos últimos 18 meses, tenho tido o privilégio de fazer parte de uma rede internacional de profissionais de museus chamada “Solidarity in Action”. Há um ano, sou também membro do seu conselho consultivo. Juntamente com as lições ensinadas pela pandemia, esse incrível grupo de pessoas (liderado pela incansável e motivadora Bernadette Lynch) deu-me a oportunidade de aprofundar o meu pensamento e prática de solidariedade. Permitiu-me também compreender melhor a palavra na minha língua materna, a língua que mais “se sente”.
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| Humboldt Forum, Berlin (Foto: Maria Vlachou) |
“Quem tem medo da descolonização?” é o título de um curso de formação que será organizado em Setembro pela NEMO – Network of European Museum Organisations, e acolhido pela UK Museums Association, SS Great Britain e Bristol Museums. Para quem não se lembra, Bristol é a cidade onde em Junho de 2020 a estátua do traficante de escravos Edward Colston foi derrubada e depois colocada em exposição (mas deitada) no M Shed Museum, o museu da cidade. Em Janeiro de 2022, um júri considerou quatro das pessoas que ajudaram a derrubar a estátua – os chamados “Colston Four” – inocentes de danos criminais.